Reação de Ventura surge depois das notícias de que o primeiro-ministro trabalhou para o grupo Solverde entre 2018 e 2022
André Ventura reagiu, esta sexta-feira, à polémica que envolve o primeiro-ministro. Para o líder do Chega, Montenegro ou apresenta a demissão ou apresenta uma moção de confiança no Parlamento.
"A menos que o primeiro-ministro esteja confortável em ser o novo José Sócrates da política portuguesa, só há um caminho para Montenegro sair disto com o mínimo de credibilidade e integridade. Deve apresentar hoje a demissão ao Presidente da República ou uma moção de confiança no Parlamento."
A menos que o primeiro-ministro esteja confortável em ser o novo José Sócrates da política portuguesa, só há um caminho para Montenegro sair disto com o mínimo de credibilidade e integridade. Deve apresentar hoje a demissão ao Presidente da República ou uma moção de confiança no… pic.twitter.com/iEwVTy9Xov
— André Ventura (@AndreCVentura) February 28, 2025
A reação de Ventura surge depois das notícias de que o primeiro-ministro trabalhou para o grupo Solverde entre 2018 e 2022 e, depois, vendeu a sua parte da empresa à mulher, mas a ligação entre o grupo de casinos e a Spinumviva mantém-se até hoje.
Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, André Ventura diz que Montenegro "tinha a oportunidade de fazer cessar a empresa" quando assumiu o cargo de primeiro-ministro.
"À hora que estamos a fazer esta intervenção aqui no Parlamento, nós não temos ainda, por parte do Primeiro-Ministro, nenhum esclarecimento adicional em relação àquilo que foi noticiado. Eu gostava de deixar também uma nota, que me parece importante, que é de que na verdade não há aqui uma grande surpresa em relação a esta situação, pois que se o Sr. Primeiro-Ministro não tivesse nada a esconder já teria, há muito tempo, divulgado esta lista", afirmou o líder do Chega.
Ventura diz ainda que o facto do primeiro-ministro não ter revelado quem eram os clientes se prende com uma razão: "O círculo patrimonial do Primeiro-Ministro, recebe uma avença de uma empresa que representa apenas 28% ou 30% da faturação daquela empresa. Isto significa que o Primeiro-Ministro de Portugal, em exercício, está a receber dinheiro de empresas privadas, sejam elas quais forem, tenham elas que atividade tenham. Isto é absolutamente incomportável, é absolutamente insustentável e, na minha perspectiva, é absolutamente ilegal".
O grupo Solverde adiantou ao Expresso, numa nota a que a CNN Portugal também teve acesso, que paga à Spinumviva, a empresa da família de Luís Montenegro, uma avença mensal de 4.500 euros desde julho de 2021 a troco de um conjunto de “serviços especializados de compliance e definição de procedimentos no domínio da proteção de dados pessoais”.
A ligação ganha relevo, explica o semanário, porque o atual primeiro-ministro trabalhou para a Solverde, grupo de casinos e hotéis sediado em Espinho, entre 2018 e 2022 (ano em que assumiu a presidência do PSD), tendo sido o representante do grupo nas negociações com o Estado que resultaram numa prorrogação do contrato de concessão dos casinos de Espinho e do Algarve.
Esse contrato de concessão termina no final deste ano e o Governo terá de decidir se vai continuar ou não. De acordo com o Expresso, o primeiro-ministro garante que pedirá escusas no geral, mas não revela a lista de incompatibilidades.
Também esta quinta-feira, o Correio da Manhã noticiou que tinha interrogado Luís Montenegro sobre a existência de uma incompatibilidade pelo facto de o atual primeiro-ministro ter sido advogado da Solverde nas negociações com o Estado, durante o penúltimo Governo de António Costa, para a atribuição de compensações no negócio dos casinos, devido aos prejuízos causados pela Covid-19.