Presidente do Chega disse que “havia um acordo até à última hora”
O líder do Chega, André Ventura, disse que “já tinha falado” com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre o impasse nas eleições dos órgãos externos e que “há dias” existia um acordo em relação à indicação dos candidatos.
“Eu já tinha falado com o primeiro-ministro sobre este tema, quer dizer, não há acordos sem que os líderes dos partidos falem. Aliás, o que tínhamos há uns dias era um acordo, que só não se levou avante por incompreensão, teimosia e casmurrice do Partido Socialista”, disse.
O presidente do Chega falava aos jornalistas no Palácio de Belém, em Lisboa, após ser recebido pelo Presidente da República, António José Seguro.
André Ventura disse que “havia um acordo até à última hora”.
“O Partido Socialista desmente isto. Eu tenho todas as indicações para levar a sério, neste caso, a palavra que nos foi transmitida, quer pelo primeiro-ministro, quer pelo PSD, de que foi isto que aconteceu. De que, inclusivamente, o Dr. José Luís Carneiro não quer ir na lista do Conselho de Estado conjunta porque vai atrás de mim na lista”, referiu.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, reuniram-se na quarta-feira ao final da tarde para discutir o impasse nas eleições para os órgãos externos do parlamento.
Nenhum dos dois falou aos jornalistas mas, mais tarde, em entrevista à SIC, José Luís Carneiro disse que foi uma "conversa franca e clara", mas "não foi conclusiva".
Em relação à indicação dos juízes do Tribunal Constitucional, uma das exigências do PS, Ventura disse que não abdica de indicar um dos candidatos.
O líder do Chega referiu que este é “um órgão, que sendo jurisdicional, tem uma natureza política” e questionou “porque raio é que num órgão de natureza política, num país em que dois terços estão à direita, tem cinco ou seis juízes indicados pelo PS”.
Considerando que o Palácio Ratton “tem que expressar a interpretação também da maioria” em matérias como controlo da imigração, eutanásia ou aumento de penas, defendeu que “se a direita abdicar disso, está sempre a fazer o jogo do Partido Socialista e da esquerda”.
“Se não for possível com o PS, lamento. Porque o consenso no parlamento, nestes órgãos, devia prevalecer. Se o PS insistir que tem que mandar em tudo, que tem que ter gente em todo o lado, que tem que condicionar tudo, terá que ser feito de outra forma, provavelmente com a Iniciativa Liberal”, argumentou.
André Ventura considerou “vergonhoso” que as instituições estejam “bloqueadas e paralisadas” por os partidos não se entenderem e defendeu que o “desbloqueio tem que partir do PS”.
“O PS não percebeu que as coisas mudaram e não pode continuar a ter a perceção e a pretensão de preencher, de mandar e de controlar o país inteiro e todos os órgãos de soberania”, referiu.
À saída da audiência com António José Seguro, o presidente do Chega disse que um dos temas abordados foram "os consensos necessários para aprovar determinadas reformas" e considerou que "tem existido, da parte do Governo, esta dificuldade em relação ao parlamento e em relação ao Chega, de estabelecer pontes que sejam sérias e de não se fazer apenas fingimento ou de não se fazer apenas uma aparência de negociação, quando, na verdade, não se quer fazer nada".
Ventura considerou que "parece ser uma estratégia deliberada do Governo para estar num exercício permanente de vitimização".
Um dos exemplos apontados por André Ventura foi a reforma laboral, dizendo que o Governo não contactou o Chega na sequência da abertura que o partido manifestou para negociar este dossiê.
“Aconteça o que acontecer, o Governo mostrou mais uma vez que não sabe negociar, que não quer gerar consenso e que está, na verdade, sempre à procura da primeira coisa para um exercício de vitimização”, criticou.
BE acusa Chega de contradição por gritar “contra tachos” e agora priorizar lugares no Estado
O coordenador do BE acusou o Chega de "profunda contradição" por ter como prioridade discutir os seus lugares no Estado depois de sempre gritar "contra tachos", acusando "direita e extrema-direita de levar o país a uma crise institucional".
"Não deixa de ser muito relevante que um partido como o Chega, que foi debitando com alta intensidade o seu combate contra tachos, agora seja a sua principal prioridade discutir lugares no Estado. E, portanto, quero registar essa profunda contradição", respondeu José Manuel Pureza aos jornalistas à saída da audiência com o Presidente da República, António José Seguro.
Quanto ao impasse para a eleição dos órgãos externos da Assembleia da República, o líder bloquista considerou que a "direita e extrema-direita estão a levar o país a uma crise institucional, a um impasse institucional que faz mal à democracia"
"Da nossa parte, teremos nesta matéria duas balizas que são fundamentais. Primeiro lugar, a de que os juízes do Tribunal Constitucional, por definição, sejam defensores da Constituição, existem para isso, têm essa função, julgar as leis à luz da Constituição. Não é entendível que não sejam defensores da Constituição", defendeu.
Para o BE é também necessário que "sejam pessoas com idoneidade profissional e idoneidade cívica para, naturalmente, desempenharem um cargo que é da maior importância".
"Volto a sublinhar: não deixa de ser caricato que um partido que tanto gritou contra tachos não faça agora outra coisa senão assumir como prioridade, precisamente, os tachos", insistiu.
Pureza disse que transmitiu a Seguro "que é absolutamente necessário que haja muito maior ambição por parte do Governo na criação de uma estratégia de combate ao custo de vida do que aquela que até agora foi indicada".
"O segundo aspeto muito importante tem a ver com o pacote laboral. Nós tivemos a ocasião também de conversar com o senhor Presidente da República a este respeito e de lhe dizer aquilo que é a nossa posição, naturalmente, de que está em causa, através do chamado pacote laboral, da questão da diminuição dos direitos de quem trabalha, está em causa a paz social no nosso país", acrescentou.
Na perspetiva do bloquista, "todos os atores políticos, incluindo naturalmente à cabeça o Presidente da República, têm aqui uma responsabilidade grande que é a de acautelar a paz social, acautelar a saúde da democracia" ao contrariar "esta intenção que o Governo quer fazer impor que é a de alterações muito gravosas à lei do trabalho".
"Não se trata de uma questão de tranquilidade, trata-se de, da nossa parte, com a maior lealdade que merece a relação com o Presidente da República, de explicitar aquilo que são as nossas orientações, o Presidente da República ouviu e ouviu com atenção aquilo que lhe transmitimos e, portanto, estamos em crer que será naturalmente sensível", apontou.
