O Chega criticou o discurso de Natal do primeiro-ministro por não incluir um pedido de desculpas nem medidas para responder às falhas na Saúde, e afirmou que o apelo de Montenegro à “mentalidade de Cristiano Ronaldo” contrasta com a “inércia” que atribui ao Governo
Num comunicado divulgado esta quinta-feira, 25 de Dezembro, a Direcção Nacional do Chega criticou o discurso de Natal do primeiro-ministro e disse ser “inacreditável” que Luís Montenegro não tenha começado a mensagem “pedindo desculpa” pelas falhas na Saúde.
O partido aponta, em particular, “bebés nascidos em ambulância” e “cirurgias adiadas”, e afirma que o chefe do Governo não deixou “uma pista” sobre como pretende resolver esses problemas.
Na mesma nota, o Chega diz registar as referências de Montenegro ao “reformismo” e ao “desenvolvimento das forças produtivas”, mas sustenta que, “ao fim de quase dois anos de Governo”, o Executivo não conseguiu, tal como o PS, criar “um ambiente de confiança e estímulo às empresas, aos trabalhadores e às famílias”.
O partido retoma a metáfora usada pelo primeiro-ministro — a “mentalidade de Cristiano Ronaldo” — para a contrariar: afirma que essa mentalidade é “oposta” à “inércia” que atribui a Montenegro e a António Costa e acusa os últimos governos de manterem um modelo assente em “subtrair a riqueza de quem trabalha e produz” para a “distribuir” por “aparelhos políticos” e sectores “não produtivos”.
No final do comunicado, o Chega defende que Portugal precisa de “uma mudança profunda, estrutural” e conclui que, “mesmo na sua mensagem natalícia”, o primeiro-ministro “parece estar longe de compreender estes desafios”.
Na mensagem ao país, o primeiro-ministro apelou a que os portugueses deixem a “mentalidade do deixar andar” e adoptem uma “mentalidade de superação”, usando Cristiano Ronaldo como exemplo, e avisou que Portugal pode perder competitividade se se acomodar à “circunstância” actual.
Luís Montenegro defendeu ainda que o Governo escolhe “jogar para ganhar”, ligou a criação de riqueza ao combate à pobreza e à crise da habitação — com impacto em salários, pensões e serviços como a saúde — e pediu à oposição que, num período que apontou como de cerca de três anos e meio sem eleições nacionais, coloque “o interesse do país” acima das posições individuais, sublinhando que “as coisas não caem do céu”.