Foi alvo de buscas pela PSP por suspeitas de crimes de furto qualificado e contra a propriedade
“Eu sou um membro do Parlamento português e posso dizer com certeza que Mário Machado é um preso político”: a 2 de janeiro de 2025, o deputado do Chega Miguel Arruda escrevia estas palavras na sua conta do X, o mesmo sítio onde se dirigiu deste maneira ao investigador em estudos urbanos e dinamizador comunitário António Brito Guterres: “Feliz 2025 a todos, menos aos que não tomam banho”.
Nascido a 27 de março de 1984, Miguel António Taveira Franco Sousa Arruda é técnico superior do Ambiente e foi um dos 50 deputados do Chega eleitos na XVI legislatura, em março de 2024. A sua primeira publicação disponível na rede social X remonta a 15 de junho de 2024, através da qual manifesta indignação face a uma imagem de André Ventura vandalizada no espaço público e exige "uma investigação célere a estas organizações criminosas". "Ataques terroristas nas nossas sedes, cartazes arrancados ou incendiados com cocktails molotof, militantes agredidos, viaturas danificadas, é este o cadastro de violência que a extrema-esquerda tem."
O tom eleva-se gradualmente à medida que repartilha conteúdos de Ventura, reforçando a sua "lealdade" ao líder do Chega. Critica também as posições de figuras públicas como Kylian Mbappé, que apelou ao voto dos jovens nas eleições francesas de forma a combater "os extremistas" que "estão nas portas do poder", referindo-se à extrema-direita. Nesse mesmo mês, Miguel Arruda chama "pedófilos" a políticos socialistas devido a uma notícia sobre a intervenção de António Costa na detenção de Paulo Pedroso, no processo Casa Pia.
Noutros posts, Miguel Arruda Partilha uma ilustração sangrenta de um indivíduo alegadamente muçulmano a despedaçar outro indivíduo; acusa "uns" de quererem "matar polícias (em sentido figurado)" enquanto "nós" - membros do Chega - "queremos os apoiar na sua luta" [sic].
"Existe uma correlação clara entre a imigração e o crime. Basta visitar uma prisão portuguesa para perceber essa evidência. Não nos atirem areia para os olhos, sff": este é um post de julho de 2024 que contém desinformação no que concerne ao aumento da criminalidade no país e à já desmentida relação com a vinda de imigrantes para Portugal - ainda na semana passada, o diretor da PJ foi aplaudido ao mostrar dados que põem em causa quem difunde "perceções de insegurança" como esta de Miguel Arruda.
Miguel Arruda contesta ainda a condenação de Mário Machado por ter pedido a "prostituição forçada das gajas do Bloco". "A minha consciência pesa mais alto do que as consequências políticas ou a censura. De pouco vale falar em surdina quando não se tem coragem de dizer em voz alta. - Mário Machado escreveu 'umas atoardas' e foi preso, e isso faz dele um preso político", lê-se numa publicação de dezembro. A página "Racismo Contra os Europeus", gerida pelo líder do grupo 1143, é também uma das mais repartilhadas por Miguel Arruda.
A PSP deu início esta terça-feira à tarde a uma série de buscas nas casas de Miguel Arruda, em Lisboa e São Miguel, nos Açores, no seguimento de um inquérito conduzido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa. A notícia, avançada pelo Público, refere que Miguel Arruda é suspeito de furtar malas dos tapetes de bagagens das chegadas dos aeroportos de Lisboa e de Ponta Delgada, quando viajava de e para os Açores, onde reside e foi eleito.