Esta é a prova crucial no processo em que o ex-deputado do Chega está acusado de 21 crimes de furto qualificado, num caso em que a mulher responde por receptação
A análise ao circuito de videovigilância não deixa dúvidas, com Miguel Arruda a surgir em dezenas de imagens, em dias diferentes, durante meses, em 2024, a furtar bagagens de turistas estrangeiros dos tapetes de voos internacionais. A TVI e a CNN Portugal tiveram acesso exclusivo às imagens que tramaram o ex-deputado do Chega, apanhado a desviar mais de 20 malas de viagem, com diferentes tamanhos, cores e feitios, no aeroporto de Lisboa.
Na altura dos factos, o então deputado viajava semanalmente entre os Açores, onde vivia com a mulher, e Lisboa, para desempenhar funções na Assembleia da República. Pelas imagens das câmaras percebe-se todo o modus operandi do ex-parlamentar, desde que desviava as bagagens dos tapetes, até que saía do aeroporto Humberto Delgado, passando antes pela casa de banho - onde retirava nomeadamente os plásticos que envolviam as malas.
Algumas foram diretamente levadas para o gabinete que Miguel Arruda ocupava na Assembleia da República - e o momento da chegada também ficou gravado pela videovigilância do Parlamento, a que a TVI e a CNN Portugal também tiveram agora acesso.
Trata-se de prova crucial no processo em que o ex-deputado está acusado de 21 crimes de furto qualificado, enquanto a sua mulher, Ana, responde por receptação. Ana Arruda ficava com grande parte dos produtos furtados - roupa e outros artigos, de diferentes marcas de luxo -, e o restante material era, ou oferecido à empregada doméstica do casal, ou colocado à venda na plataforma online Vinted.
O ex-deputado, quando confrontado com os factos pelo Ministério Público durante o inquérito, remeteu-se ao silêncio sem dar qualquer explicação sobre os furtos - que anteriormente, numa entrevista à TVI, negou cabalmente. E sugeriu que, a surgirem imagens suas a desviar malas no aeroporto, tivessem sido inventadas por inteligência artificial. No interrogatório, disse apenas que estava fortemente medicado, a atravessar uma depressão.
No dia 21 de janeiro de 2025, Miguel Arruda foi constituído arguido por suspeita do furto de malas no aeroporto de Lisboa, e nesse mesmo dia a PSP realizou buscas nas casas do deputado em São Miguel e em Lisboa.
Pouco depois o então deputado, que foi eleito pelo círculo dos Açores, foi suspenso pelo partido, passando a deputado não-inscrito, antes de ter abandonado definitivamente o cargo, ainda antes da realização de novas eleições.