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O protesto é uma "arma" política e os ciganos têm toda a razão para a usarem

12 mai 2025, 20:42

O ódio de André Ventura já vem de 2017 e tem-se acentuado nesta campanha, o que lhe tem valido protestos da comunidade cigana nas ruas

O protesto é uma arma política e faz ainda mais sentido durante os períodos eleitorais, desde que não seja usada com violência, como aconteceu no domingo quando dois jovens atiraram pó verde sobre o líder da IL. Ou quando alguns membros da comunidade cigana foram impedidos pela polícia de tentarem levar a cabo atos de violência sobre elementos do Chega.

Os protestos não violentos da comunidade cigana, que na semana passada interromperam pelo menos três vezes a campanha do partido de André Ventura, têm toda razão de ser.

Ainda em 2017, o então militante do PSD e candidato a presidente da Câmara de Loures deu uma entrevista em que acusava a referida comunidade de viver “quase exclusivamente de subsídios do Estado” e “acharem que estão acima das regras do Estado de direito”. 

Assunção Cristas, na altura presidente do CDS, retirou-lhe de imediato o apoio político, o que Pedro Passos Coelho, que liderava o PSD, não fez.

Daí para cá, e especialmente quando fundou o Chega, a comunidade cigana passou a ser uma espécie de inimigo de estimação de Ventura. Já os acusou quase de tudo. Não a este ou aquele cigano que eventualmente tenha cometido um crime, mas sim a comunidade cigana em geral, que acusa no mínimo de serem ladrões.

André Ventura fá-lo porque sabe que a comunidade cigana é, injusta ou justamente, mal-amada em alguns pontos do país, sejam ou não gente de bem e por acreditar que o ódio que diz ter pela comunidade lhe possa valer alguns votos.

Dois dirigentes do Chega tiveram mesmo o desplante de o dizer à Rádio Renascença, ainda que sob anonimato. “Penso que acaba por ser positivo para nós”, explicou um dirigente, salientando que as imagens dos protestos a rolar na comunicação social e nas redes os fazem acreditar que o Chega pode “sair beneficiado eleitoralmente”. “São benéficos, a população não gosta deste tipo de comportamento numa sociedade de direito”, considerou outro.

Não, na nossa “sociedade de direito” quem tem razão são os ciganos, que acusam André Ventura de ser “racista” e de “espalhar o ódio” contra eles, porque é exatamente isso que ele faz em nome de mais um ou outro votinho na urna.

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