"Portugueses de bem", "linhas LGBT mais qualquer coisa" e "subsidiodependentes". André Ventura recupera as bandeiras mais antigas do Chega

Rafaela Laja , em Santarém
29 jan 2023, 19:36

No encerramento da V Convenção Nacional, o líder do Chega prometeu um resultado histórico nas próximas eleições europeias e entrar no governo da Madeira já este ano - e, ao contrário dos discursos deste fim de semana, voltou às bandeiras mais radicais do partido

No discurso de encerramento da V Convenção Nacional - o mais aceso do fim de semana - André Ventura deu recados à direita, disse que António Costa "chegou ao fim" e relembrou os militantes das bandeiras que realmente fazem o Chega.

"Quando dissemos portugueses de bem, não queríamos criar escalas: queríamos dizer que há milhões que só queriam um país mais justo, que diziam 'dêem-nos alguma coisa'. E o Estado dava, dava mais impostos", afirmou, lançando mais uma crítica aos "subsidiodependentes", que, segundo o presidente do Chega, "não querem trabalhar".

Garantindo que o Chega "está mais unido do que nunca", André Ventura salientou a "ambição" do partido: "Nós vamos lutar para ser Governo da Região Autónoma da Madeira já em 2023", prometeu, apontando também para as eleições europeias, antevendo um resultado "histórico" para o partido: "Vamos denunciar a crescente imigração ilegal que destrói esta Europa". 

"Durante todos estes anos, o PS no Governo, apoiado pela extrema-esquerda...", afirmava, suscitando uma onda de apupos por parte da plateia em Santarém. "Eu não queria dizer isto, está ali a Sra. Ministra sentada", troçou, referindo-se a Ana Catarina Mendes, presente na plateia do CNEMA. A ministra dos Assuntos Parlamentares viria a lamentar, mais tarde o “discurso de ódio” que considerou ter marcado o encerramento da V Convenção.

“Eu garanto-vos que vamos lutar rua a rua, terra a terra deste país até sermos Governo de Portugal e vencermos o Governo de António Costa neste país, porque António Costa já chegou ao fim”, afirmou.

"A esquerda bafienta e antiga sabe agora que tem um inimigo mortal nas ruas", completou.

Já quanto à direita, mais um recado: "Podem fazer as linhas vermelhas que quiserem, até as cores LGBT mais qualquer coisa", afirmou, completando prontamente: "Este é o momento em que os assessores vão começar a dizer para cortar". Mas, para Ventura, o "único que pode estabelecer linhas vermelhas é o povo português".

Num discurso de quase meia hora, André Ventura considerou que as críticas de que é alvo vão fortalecer o partido: “Quero prometer-vos aqui que à medida que nos atacam mais, que à medida que nos espezinham mais, que à medida que dizem que somos racistas, xenófobos ou fascistas, é nessa força que nós nos tornaremos mais fortes”, salientou.

A lista apresentada por André Ventura para a Direção Nacional do Chega obteve este domingo 91,9% dos votos, sendo reconduzidos como vice-presidentes António Tânger Corrêa, Pedro Frazão e Marta Trindade.

Além do presidente do partido, reeleito no sábado com 98,3% dos votos, a Direção Nacional é composta por seis adjuntos: Pedro Pinto, Rui Paulo Sousa, Diogo Pacheco de Amorim, Patrícia Carvalho, Ricardo Regalla e Rita Matias.

Os delegados à convenção elegeram também, com 88,8% dos votos, a lista única ao Conselho de Jurisdição Nacional, com 84,3% a lista para a Mesa da Convenção e com 90,5% a lista para o Conselho de Auditoria e Controle Financeiro.

"Mesmo um partido muito grande consegue estar unido e consegue eleger o seu presidente com mais de 98% dos votos", congratulou-se.

Cumprimentando os "parceiros europeus" que representam os partidos da extrema-direita, Ventura afirmou que "não são só a prova da enorme relevância que o Chega tem hoje", mas sim a prova real de que a "Europa corrupta" vai ter luta: "Vamos lutar para dignificar os maiores partidos europeus". 

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