André Ventura diz que lhe roubaram documentos "graves" sobre Luís Neves que foram enviados por "pessoas que trabalham na PJ"

29 jul, 22:53
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Presidente do Chega volta a rejeitar qualquer cenário de encenação e pede que "se leve isto até ao fim para ver quem tem interesse"

Nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira o gabinete do presidente do Chega na Assembleia da República foi vandalizado e foram retirados da sala vários documentos relacionados com o primeiro-ministro e o ministro da Administração Interna.

A acusação foi feita pelo próprio André Ventura nas redes sociais, com o político a reiterar que o seu espaço tinha sido alvo de vandalismo.

Nas últimas horas têm-se levantado algumas dúvidas, nomeadamente o porquê de a porta do gabinete ficar aberta durante a noite, ainda para mais com documentos importantes como os que o presidente do Chega diz terem sido roubados.

Em entrevista à CNN Portugal, André Ventura começou por explicar isso mesmo: “a tradição no Parlamento é que as portas fiquem abertas, porque entendemos que é um espaço que, em princípio, não oferecerá grandes questões de segurança”.

O presidente do Chega lembrou mesmo um vídeo em que foi criticado e no qual aparecia a bater às portas de gabinetes de outros partidos. Nesse momento, garante, também as salas estavam abertas.

Mas voltando ao caso atual, André Ventura garante que já teve ameaças que lhe foram deixadas no próprio gabinete, e que já seguiram para o Ministério Público.

“Agora tivemos, dentro do gabinete, coisas roubadas”, afirmou, defendendo novamente a opção de deixar documentos e objetos relevantes no seu gabinete.

“Ontem tive uma conversa com um inspetor da Polícia Judiciária que me dizia que a única solução é ter câmaras”, acrescentou, admitindo alguma ingenuidade em não ter uma segurança mais apertada.

Rejeitando todas as acusações de encenação neste caso em concreto, André Ventura disse que procurou garantir que as autoridades estavam no seu gabinete. De resto, quem o avisou da situação foi um deputado do Chega, mesmo que, segundo o próprio, o presidente da Assembleia da República ou outros funcionários do Parlamento já soubessem do sucedido.

O deputado em questão, Francisco Gomes, filmou e tirou fotografias à situação, a mesma depois partilhada nas redes sociais, mas igualmente enviada para André Ventura.

Foi o mesmo deputado que chegou às 07:00 ao Parlamento, sendo que o presidente do Chega não estranha a ida ao seu gabinete, até porque há uma sala adjacente. Foi ao chegar a esse espaço que viu polícia e uma empregada da limpeza à porta da sala alegadamente vandalizada, tendo avisado de imediato André Ventura.

Questionado se admite que o que aconteceu possa ter vindo de dentro do partido, André Ventura disse que “tudo é possível”, mas voltou a deixar no ar a possível ligação entre ter dito que tinha documentos importantes para uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Luís Neves e o alegado ato de vandalismo.

“Gostava que levassem isto até ao fim e que vissem quem é que tem interesse nisto”, acrescentou, afastando qualquer intenção de acusação a uma qualquer personalidade ou entidade.

Assim que conseguiu entrar no seu gabinete, percebeu de imediato que faltavam documentos relacionados com a CPI, nomeadamente com a atividade de Luís Neves na Polícia Judiciária. Deu também pela falta de documentos que estavam num envelope que dizia “gabinete do primeiro-ministro”.

“Desapareceram duas pens, sou capaz de as descrever, e desapareceram duas partes de documentos”, esclareceu.

Embora tenha recusado divulgar quais os documentos em causa, dada a natureza “sensível” dos mesmos documentos, que André Ventura recebeu de “pessoas que trabalham na Polícia Judiciária”, e que entende serem “graves” e importantes para a CPI a Luís Neves.

O presidente do Chega acrescentou ainda que desapareceram documentos relacionados com o SIRESP, nomeadamente com o combate a incêndios.

Tudo o que está em causa, prometeu, será então esclarecido na CPI potestativa requerida pelo Chega, que já deixou claro que entende que Luís Neves não tem condições para continuar no cargo.

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