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Chega acusado de insultar deputadas do PS. Ana Sofia Antunes, invisual, foi chamada "aberração", mas também se ouviu "drogada" e "pareces uma morta"

CNN Portugal , ARC - notícia atualizada
14 fev 2025, 12:41

Aconteceu no Parlamento. Chega acusado de ter proferido os insultos enquanto tinha os microfones desligados. PSD, PS e BE dizem que se "ouviu bem" e manifestaram a sua indignação

"Aberração", "drogada" e "pareces uma morta": estes insultos foram proferidos pela bancada do Chega durante o plenário de quinta-feira e dirigiram-se às deputadas do PS, tendo a CNN Portugal confirmado no local, bem como outros partidos, que "aberração" visou em concreto a deputada Ana Sofia Antunes, que é invisual. Além do próprio PS, outros partidos manifestaram publicamente o seu repúdio e indignação, acusando o partido de André Ventura de "bullying" e de "apartes" que ultrapassam os limites.

"O insulto 'aberração' ouviu-se da nossa bancada", confirma Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda (BE). A deputada diz que não ouviu os restantes insultos, mas que sabe que há quem tenha ouvido.

Joana Mortágua acusa o Chega de bullying durante a sessão no Parlamento, tendo como alvo a deputada do PS Ana Sofia Antunes. "Eu indignei-me não tanto pelos insultos, que são comuns da bancada do Chega, mas porque a deputada estava a fazer sinal à mesa e precisa de ouvir que a sinalização foi vista, caso contrário não sabe. Enquanto fazia sinal, estava a deputada Rita Matias a mandá-la baixar o braço com gestos, sabendo que não conseguia distinguir", conta Joana Mortágua à CNN Portugal.

A deputada do BE fala em "forma bastante deselegante" e em bullying por parte da bancada do partido de André Ventura. A CNN Portugal contactou o Chega para obter um comentário, mas até à data não obteve resposta.

Com o microfone "em off", segundo apurou a CNN Portugal, da bancada do Chega foram feitos insultos a vários deputadas. Ouviu-se também "drogada" e "pareces uma morta". Tudo começou quando o Chega acusou Ana Sofia Antunes de só conseguir intervir quando os assuntos envolvem deficiência.

O PS diz que em causa esteve uma "ofensa à honra da bancada parlamentar", mas foram até Bloco de Esquerda e PSD a ir mais longe. Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda, pediu a palavra para denunciar algo dito pelo Chega "em off", mas que se "ouviu bem" no Parlamento. Hugo Soares, líder da bancada parlamentar do PSD, concordou com a deputada bloquista, acrescentando que há "apartes" que ultrapassam o bom senso e a dignidade.

As críticas aos comportamentos dos deputados do Chega não são novas. Por exemplo, a deputada do PS Isabel Moreira denunciou-os recentemente num artigo de opinião para a CNN Portugal - e pede a intervenção do presidente da Assembleia da República: "Isto é um Parlamento? Lamento, mas não vou usar este espaço para os preceitos jurídicos. Vou invocar a ética republicana, a decência e a urgente defesa da democracia. Um presidente da Assembleia da República defende-a, o que ela representa, não espera por bombeiros para tirar tarjas colocadas ilegalmente na exterior da casa do povo, repreende quem difama, quem usa da palavra em discurso de ódio e fala sobre isso. Faz pedagogia".

Depois do que aconteceu esta quinta-feira, Joana Mortágua admite não saber como a situação se resolve. "Não sei. Sei que tem havido mesmo fora do Parlamento queixas ao PAR [Presidente da Assembleia da República] em comissões", afirma. "As queixas sobre a forma como os deputados do Chega - de microfone apagado - insultam pessoas é muito grave."

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