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Como Charlie Kirk mudou a política americana

CNN , Análise de Brian Stelter e Liam Reilly
11 set 2025, 22:53
Charlie Kirk

Charlie Kirk, que foi morto a tiro na quarta-feira, foi pioneiro de um novo modelo de defesa política conservadora, combinando comentários em várias plataformas com encontros presenciais e campanhas para incentivar ao voto. 

Kirk, de 31 anos, era um organizador político de base extremamente bem-sucedido, influenciador no TikTok, locutor de rádio, líder de uma organização sem fins lucrativos e orador público, tudo reunido numa figura telegénica.

Num momento, Kirk podia estar na Fox News a promover a agenda do seu amigo, o presidente Donald Trump; no seguinte, podia estar no X ou no Instagram a convidar jovens para criarem grupos conservadores nas suas escolas secundárias e universidades.

Com a Turning Point USA (TPUSA), a organização sem fins lucrativos que cofundou em 2012, aos 18 anos, Kirk construiu uma operação de base da nova geração que se ligava diretamente ao Partido Republicano, para grande inveja dos seus rivais democratas.

A parte do seu trabalho como comentador misturava-se quase de forma impercetível com a parte de organização política, mas, provavelmente, o que mais se destacava eram as suas aparições públicas em conferências conservadoras e em campus universitários.

Quarta-feira marcou o início da digressão de outono de Kirk por universidades de todo o país - anunciada como a American Comeback Tour.

Kirk tirou o dia de folga do seu programa de rádio e podcast diurnos para se preparar para o evento no campus, e tinham passado cerca de 20 minutos desde o início da sua intervenção quando foi atingido no pescoço por uma bala disparada por um atirador.

Figuras proeminentes do mundo dos media lamentaram a morte de um homem que conheciam pessoalmente. “Perdemos uma das vozes mais importantes que tivemos na direita durante a minha vida”, disse Megyn Kelly numa transmissão em direto com Glenn Beck.

“Charlie Kirk estava a fazer as coisas da forma certa”, escreveu o estratega republicano T.W. Arrighi no X. “O Charlie construiu um movimento nos campus de todo o país ao envolver os estudantes em debates e diálogos. Desafiando a ortodoxia e conquistando corações e mentes no processo. Não é isso que queremos das figuras políticas? Tentar silenciar esse trabalho através da violência é contrário a tudo o que defendemos como país.”

Ao longo de uma década, Charlie Kirk transformou com sucesso a Turning Point USA numa força de alcance nacional, apresentando-se como porta-voz da ala jovem do movimento Make America Great Again (MAGA).

O site da Turning Point USA citava Kirk a dizer: “Jogamos ao ataque com um sentido de urgência para vencer a guerra cultural da América.”

Foi assim que Kirk e a Turning Point USA alcançaram sucesso nos círculos conservadores - ao inserir a organização diretamente nas batalhas culturais e transformar debates polémicos em envolvimento online e presencial.

Kirk defendia ideias de direita em acesos confrontos diante das câmaras com académicos progressistas, que depois se tornavam virais nas redes sociais, especialmente no Twitter, conhecido agora como X. O seu desejo de debater tornou-se uma marca da organização sem fins lucrativos, ajudando a transformar Kirk numa estrela mediática do movimento MAGA e num convidado muito procurado para televisão e podcasts - quando não estava ocupado com os seus próprios programas.

Algumas das paragens da sua digressão este outono foram promovidas como fóruns para o desacordo, apresentando o que Kirk chamava de mesa “Prove Me Wrong” (“Prova-me que estou enganado”), onde se confrontava com opositores ideológicos.

“Estou a tentar ser proativo ao incentivar o diálogo entre pessoas que discordam”, disse a um jornalista da CNN em 2021.

A ascensão de Kirk na política conservadora refletiu o crescimento do populismo de direita nos Estados Unidos. Apoiou Trump durante a eleição presidencial de 2016 e promoveu de forma agressiva as suas candidaturas à reeleição. Os grupos locais da Turning Point ajudaram a registar jovens republicanos e a garantir que os prováveis eleitores de Trump realmente comparecessem às urnas. Trump e o seu círculo íntimo, por sua vez, ajudaram a elevar Kirk e a TPUSA ainda mais.

A juventude de Kirk revelou-se uma vantagem, pois construiu naturalmente uma marca online em plataformas como o YouTube, eventualmente conquistando milhões de seguidores digitais.

A sua máquina política e mediática lançou também outros podcasts e iniciativas nos media para chegar aos jovens de novas formas.

O “Culture Apothecary”, de Alex Clark, por exemplo, foi lançado em setembro de 2024 e focava-se no bem-estar e estilo de vida, abordando os temas através do prisma “Make America Healthy Again” (Tornar a América Saudável Novamente).

Kirk deixou claras as suas ambições numa entrevista ao Deseret News, um jornal de Utah, nos dias que antecederam o evento de quarta-feira no campus universitário.

“Queremos ser uma instituição neste país tão conhecida e poderosa quanto o The New York Times, Harvard e as empresas de tecnologia», disse Kirk. “E acreditamos que estamos a criar isso.”
 

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