A arma do avô e o receio de desapontar o pai: suspeito de matar Charlie Kirk falou com o colega de casa logo após o crime

16 set 2025, 20:53
Charlie Kirk

Suspeito da morte de Charlie Kirk trocou mensagens com o colega de casa enquanto estava ainda na zona do crime. Confessou tudo e ainda explicou o seu plano 

A troca de mensagens revelada pela CNN Internacional mostra a confissão do suspeito do assassínio de Charlie Kirk. A conversa, mantida entre o suspeito, Tyler James Robinson, e o seu colega de casa com quem tinha uma relação romântica, expõe não apenas os detalhes da execução da morte, mas também os planos para ocultar provas e a preocupação com as consequências familiares e legais. 

O diálogo começa com espanto por parte do colega de casa, que reage incrédulo à revelação. Robinson admite a autoria do ataque e explica que não conseguiu recuperar a arma utilizada, que tinha deixado escondida. “Não deve demorar muito até poder voltar para casa, mas ainda tenho de ir buscar a minha arma. Para ser sincero, esperava manter isto em segredo até morrer de velhice. Desculpa envolver-te.”

Declarações que fazem parte dos documentos e declarações conhecidos esta terça-feira, dia em que o procurador do condado de Utah anunciou que as autoridades vão pedir a pena de morte pelos sete crimes de que o jovem está acusado, entre os quais um de homicídio qualificado.

Apesar da operação policial que levou à detenção de outra pessoa, Robinson reconhece que esteve por detrás do crime e que planeava regressar ao local para tentar recuperar a arma. “Apanharam um velho maluco, depois interrogaram alguém com roupa parecida. Tinha planeado ir buscar a espingarda logo a seguir, mas aquela zona da cidade foi praticamente toda encerrada. Está tudo calmo, quase suficiente para sair, mas há um veículo ainda a rondar.” 

Segundo Robinson, o ataque foi motivado pelo “ódio” de Charlie Kirk, algo que, segundo afirma, “não podia ser negociado”. As mensagens revelam que o plano foi delineado durante mais de uma semana e incluía esconderijos para a arma e mudança de roupa para evitar ser identificado.  

Robinson admite ainda ter gravado mensagens nas balas, em tom de provocação, temendo que estas viessem a ser divulgadas pelos meios de comunicação. “Lembras-te que andava a gravar mensagens nas balas? As mensagens são basicamente memes estúpidos.” 

Mostra também preocupação com o facto de a arma ter pertencido ao avô, receando a reação do pai caso não conseguisse recuperá-la. “Preocupo-me com as impressões digitais, tive de a deixar num arbusto onde troquei de roupa. Não tinha tempo nem possibilidade de a levar comigo… Se calhar vou ter de a abandonar e esperar que não encontrem impressões. Como raio vou explicar ao meu pai que a perdi…”  

Nas mensagens, Robinson refere que o pai, desde a eleição de Donald Trump, tornou-se um “fervoroso apoiante MAGA” (Make America Great Again), o que acrescentou mais tensão ao seu dilema familiar. O receio de dececionar o pai e o avô com a perda da arma é uma constante ao longo da conversa. 

Robinson indica a intenção de se entregar voluntariamente às autoridades, contando com a proximidade de um vizinho que é adjunto do xerife. Ainda assim, pede insistentemente ao colega de casa que não fale com a imprensa e que, caso seja abordado pela polícia, exija a presença de um advogado e mantenha silêncio.  

O suspeito chegou a dizer ao colega de casa que este era a única pessoa com quem se preocupava, ao que o parceiro respondeu: “estou muito mais preocupado contigo”. 

As autoridades acabaram por executar um mandado de busca à casa de Robinson. Nessa operação, encontraram cápsulas com gravações idênticas às que estavam nas balas disparadas durante o ataque, bem como vários alvos de treino com marcas de tiros na sua casa. Estes elementos foram considerados provas cruciais na investigação. 

De acordo com essa mesma investigação, acabaria por ser a família, nomeadamente a mãe, a reconhecer o jovem nas várias imagens divulgadas. Assim que perceberam que se poderia tratar de Robinson, os pais alertaram as autoridades, ajudando à detenção do jovem um dia após o crime.

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