Soldado saiu da reserva para ganhar outra batalha
A figura: Leandro Barreiro
Omnipresente nos momentos de perigo, este jogo mostrou o porquê de Bruno Lage já ter chamado o luso-luxemburguês de «soldado». Normalmente não é titular, mas nos jogos em que é chamado, como na Supertaça, o médio cumpre e até, por vezes, esmera-se. Dinâmico, chato para os defesas contrários, o médio surgiu muitas vezes nas costas dos médios do Fenerbahçe e ligou-se bem com o avançado Pavlidis, que é dado a esse tipo de jogo associativo. Talvez essa vontade o tenha prejudicado nos dois golos anulados ao Benfica na primeira parte – no primeiro, interferiu em fora-de-jogo, no segundo, empurrou um oponente pelas costas. Assistiu Aktürkoglu de forma afoita e ainda teve algumas perdidas que, se estivesse mais habituado àqueles terrenos, teria aproveitado melhor.
O momento: golo de Aktürkoglu, 36 minutos
Foi a catarse dos adeptos benfiquistas, que ainda duvidaram da validade do golo após duas anulações ‘traumáticas’. Depois de toda a novela que tem envolvido Kerem Aktürkoglu, com o interesse do Fenerbahçe no jogador do Benfica, foi quase justiça poética o facto de o extremo ter decidido a eliminatória. Numa jogada algo caricata, numa sucessão de más decisões de parte a parte, Barreiro libertou para o turco e este atirou a contar pela primeira vez na temporada. Praticamente não celebrou.
À terceira foi de vez 🦅
— sport tv (@sporttvportugal) August 27, 2025
Aktürkoğlu a abrir o marcador 🔥#sporttvportugal #CHAMPIONSnaSPORTTV #UEFAChampionsLeague #SLBenfica #Fenerbahçe pic.twitter.com/YY3kOVZFgG
Outros destaques:
Kerem Aktürkoglu: trapalhão, indeciso e frustrado. Porém, decisivo. O extremo turco foi aposta de Bruno Lage, tal como na primeira mão, em detrimento de Andreas Schjelderup. Neste início de temporada mais periclitante, estreou-se a marcar em 25/26 precisamente diante do Fenerbahçe, a quem tem sido associado fortemente. Atirou com força e precisão, de primeira, e praticamente nem celebrou, aos 36 minutos. Saiu ovacionado pelos adeptos aos 75 minutos.
Vangelis Pavlidis: jogo de muito esforço do avançado grego, que esteve quase sempre longe da baliza contrária mas sempre à procura do seu satélite – Leandro Barreiro. Várias foram as ocasiões de golo que passaram pelos pés dos dois jogadores. Grande trabalho de ligação e mais uma exibição de encher o olho.
Amar Dedic: no que toca a laterais, é sempre bom comparar a importância de um e de outro para o rendimento de uma equipa. No Benfica, há claramente um maior pendor do lado direito. Muito maior desenvoltura do bósnio em comparação com Samuel Dahl, especialmente no processo ofensivo. Na primeira parte teve uma arrancada em tudo semelhante à assistência conseguida diante do Tondela. É, talvez, a contratação com mais impacto no Benfica até agora.
António Silva: foi uma das chaves para o sucesso do Benfica nas bolas paradas. Os colegas faziam bloqueios e o central aparecia solto para desviar... e isso só não deu em golo por infelicidade. Excelente na construção e na proteção da grande área.
Richard Ríos: considerado o homem do jogo pelos observadores da UEFA, o colombiano fez acima de tudo um jogo esforçado e importante nos duelos. Deu maior segurança para que Barreiro estivesse quase sempre no ataque.
Dominik Livakovic: foi o melhor elemento do Fenerbahçe durante o jogo e isso diz muito da equipa turca. O guarda-redes croata fez uma enorme defesa logo dentro dos primeiros cinco minutos de jogo e evitou aquilo que parecia inevitável – o golo do Benfica. Teve outras intervenções importantes, como por exemplo a negar o golo a António Silva na segunda parte, que fizeram dele um elemento superior.