Júnior Messias: de estafeta de eletrodomésticos a salvador do Milan

26 nov, 14:06

Brasileiro que emigrou para Itália em 2011 «à procura de uma vida melhor» marcou o golo que baralhou as contas do grupo do FC Porto na Champions

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«Isto é um sonho. É uma história escrita por Deus», declarou emocionado Junior Messias no final do triunfo do Milan em Madrid frente ao Atlético (0-1).

Na estreia na Liga dos Campeões, o brasileiro de 30 anos fez aos 87 minutos o golo que salvou os milaneses da eliminação das competições europeias e que baralhou ainda mais as contas do grupo do FC Porto na Champions.

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Ao terceiro jogo pelos rossoneri (entrou sempre como suplente fez um total de 74 minutos), depois de um arranque marcado por problemas físicos, o avançado emprestado pelo Crotone virou protagonista de um «conto de fadas».

Há meia-dúzia de anos, este mineiro de Belo Horizonte que chegou a jogar nos escalões de formação do Cruzeiro, emigrou para Itália. Não para jogar futebol, apenas à procura de uma oportunidade de emprego.

Chegou a Turim com 20 anos e encontrou trabalho como estafeta de uma loja de eletrodomésticos.

«Vim para cá em 2011 com o meu irmão com a ideia de ter uma vida melhor. Comecei a trabalhar, constitui família, entrei num clube de futebol em 2015, comecei a ser convocado... Tudo aconteceu naturalmente. Subi a escada degrau a degrau», afirmou ao TNT Sports.

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O sonho de virar craque na Europa, que ficara para trás, foi reavivado quando em 2015 o treinador Ezio Rossi, do Casale, o descobriu no futebol amador.

«Estive cinco anos sem documentos. No dia seguinte a consegui-los, esse treinador ligou-me», recorda.

Com mulher e um filho a cargo, Messias aceitou o desafio de deixar o emprego para jogar no clube de uma pequena cidade entre Turim e Milão e nessa primeira época apontou 21 golos em 32 jogos na Eccellenza, divisões regionais que correspondem ao quinto escalão do futebol italiano.

Seguiram-se o Chieri, na Serie D (quarta divisão), e o Gozzano, que ajudou a subir à Serie C (2018/19), até em janeiro de 2019, assinou por um clube profissional: foi contratado pelo Crotone, da Serie B, onde nas duas últimas épocas apontou 15 golos e fez mais de 70 jogos.

Até que no início desta temporada surgiu o interesse do Milan, que pagou 2,5 milhões de euros pelo seu empréstimo e ficou com uma opção de o contratar em definitivo a troco de mais 5,5 milhões.

De um momento para o outro, Messias passou a trabalhar no moderno centro desportivo de Milanello e a competir por um lugar no ataque com referências como Ibrahimovic e Giroud ou com o português Rafael Leão.

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O degrau a degrau pelo qual se pautou a sua vida traduziu-se há um par de meses num salto de gigante. Seguiu-se a estreia no início de outubro: um quarto de hora em campo num jogo que terminou com uma vitória sofrida em casa da Atalanta (3-2). No passado fim de semana, um mês e meio depois, Messias fez o seu segundo jogo pelo líder da Serie A, a par do Nápoles: meia-hora na derrota em casa da Fiorentina (4-3).

Tudo isto antes do grande momento da passada quarta-feira: entrou a 25 minutos do final para salvar o Milan de dizer adeus à Europa.

Cruzamento de Kessié sobre a esquerda para o coração da área e o brasileiro cabeceia para o fundo da baliza de Oblak. Ato contínuo: corre para junto da bandeirola de canto, aponta aos céus e vencido pela comoção cai no relvado abraçado pelos companheiros de equipa.

Naquela noite, em Madrid, o ex-estafeta tornou-se em mais um brasileiro a brilhar pelo Milan. Um herói canarinho com o manto rossonero como o foram Cafú, Kaká, Ronaldinho, Rivaldo ou Ronaldo Fenómeno.

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Naquela noite, em Madrid, Messias foi o salvador, «como numa história escrita por Deus».

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