Blackstenius, Alvalade e uma final ao sol e à sombra
Chama-se Stina Blackstenius, tem 29 anos e 115 jogos pela seleção da Suécia.
Vale a pena deixar o primeiro parágrafo só para ela. Afinal de contas, foi esta loira, de feições simpáticas e rabo de cavalo, que fez a diferença na final da Champions feminina.
Entrou a pouco mais de vinte minutos do fim e o jogo nunca mais foi igual. Logo cinco minutos depois, Blackstenius ganhou uma bola atrás da linha de meio campo, passou pela primeira adversária, correu metro e metros, trabalhou em frente à segunda e rematou para grande defesa de Cata Coll.
Naquela altura, para lá dos 70 minutos, aquela era a melhor ocasião de golo de todo o jogo e era um aviso para o Barcelona.
Um aviso que logo a seguir teve sequela: Blackstenius, outra vez ela, recebeu um grande, enorme, gigante passe de Caldentey, a deixá-la na zona de finalização, domina e atira cruzado para a história. Merece por isso ficar com o nome sublinhado nesta crónica.
Sublinhado, sim, e a verde, se possível: ou não tivesse esta final sido jogada em Alvalade, numa tarde de estádio cheio, enorme entusiasmo e muito sol lisboeta. Uma final ao sol e à sombra, como Eduardo Galeano escrevia que devia ser sempre o futebol.
Foi, portanto, uma bela ode a este jogo que tanto amamos.
E não há aqui nenhum favor. Foi de facto uma excelente final. Só teve um golo, é certo, mas teve duas equipas viradas para o ataque, sempre a querer jogar, teve incerteza até ao fim, teve boas oportunidades de golo e teve aquela paixão que torna o futebol diferente de tudo.
O Barcelona entrou no jogo a sofrer, a ver o Arsenal criar mais (e as melhores) ocasiões de golo, incluindo um autogolo que um fora de jogo acabou por anular.
Aitana Bonmatí, Alexia Putellas e Kika Nazareth - que acompanhou a final do banco, com a camisola da equipa vestida – respiraram de alívio, mas pouco. Demoram, alias, três quartos de hora a ultrapassar o choque inicial provocada pela velocidade com que o Arsenal atacava.
Na segunda parte, aí sim, o Barcelona foi o Barcelona.
Claudia Pina atirou à trave, Aitana Bonmatí proporcionou grande defesa à guarda-redes do Arsenal, Patri Guijarro rematou pertíssimo do poste e Ona Batle finalizou por cima da barra.
Sentia-se que o golo do Barcelona estava próximo. Até que Blackstenius entrou em campo e mudou para sempre esta história.
O Barcelona falhou o terceiro triunfo consecutivo na Champions e o Arsenal conquistou a segunda Liga dos Campeões da sua história.
Stina Blackstenius acabou o jogo a chorar, Kika Nazareth ouviu pelo menos todo o estádio a cantar o seu nome e Alvalade, bem... Alvalade viveu um dia em grande.
Mais um.