Informado em todas as frentes, sem interrupções?
TORNE-SE PREMIUM

De défice a excedente: Conselho de Finanças Públicas melhora previsões

Agência Lusa , AG
15 abr, 15:22
Dinheiro (Freepik)

Há algum pessimismo em relação às previsões de crescimento

O Conselho das Finanças Públicas (CFP) estima um excedente de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, nas previsões divulgadas esta quarta-feira, o que contrasta com a projeção de um défice de 0,6% no relatório de setembro.

Esta revisão em alta, para o mesmo valor antecipado pelo Governo no Orçamento do Estado para 2026, "resulta sobretudo do 'carry-over' [transferência] positivo de 2025, que melhora o saldo em 0,7 p.p. do PIB", explica o CFP, nas previsões económicas divulgadas hoje.

Segundo o organismo, este efeito é parcialmente anulado pelas medidas de despesa associadas a tempestades e à guerra, mas cujo impacto é "mais do que compensado pela revisão em alta da receita fiscal (+0,5 p.p.), em particular no IVA e no IRS (+0,4 p.p.)".

O CFP destaca ainda a atualização de dividendos superiores face aos resultados apresentados pela Caixa Geral de Depósitos para o ano de 2025.

Este saldo orçamental está condicionado pelos apoios relacionados com as tempestades e energéticos, sendo que um custo superior ao assumido pelo CFP, "não compensado por outros efeitos, traduzir-se-ia num saldo mais desfavorável", alerta a instituição.

Já para 2027, a previsão do CFP, que num cenário de políticas invariantes, é de um défice de 0,4% do PIB, devido à "redução da receita de IRS, associada ao fim do efeito temporário das taxas extraordinárias de retenção na fonte, bem como do impacto da redução gradual da taxa de IRC, que contribui para uma diminuição adicional da receita fiscal".

Nos anos seguintes, o défice deverá agravar-se para 0,6% do PIB em 2028, 0,8% em 2029 e atingir 1% do PIB em 2030, deterioração que "reflete, essencialmente, o efeito permanente e cumulativo das medidas de desagravamento fiscal em sede de IRS e IRC, bem como o aumento dos encargos com juros da dívida pública".

As previsões orçamentais estiveram no centro da discussão política depois de o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, ter destacado, numa audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública a 31 de março, as diferenças entre as previsões das instituições para o saldo orçamental de 2025 e o resultado final, reiterando que "as críticas políticas e sobretudo as críticas ao aumento da despesa líquida primária aconteceram a partir do momento em que a AD foi para o Governo".

No documento divulgado hoje, o CFP salienta que o excedente orçamental atingiu 0,7% do PIB em 2025, "superior ao esperado pelo Governo e pelos previsores oficiais nacionais e internacionais".

"O desvio em relação à projeção do CFP, excluindo fundos comunitários – que têm impacto neutro no saldo – resultou sobretudo de um desempenho mais favorável da receita fiscal e contributiva, e uma despesa de capital incluindo operações one-off inferior à projetada, já que a despesa corrente primária ficou praticamente em linha", lê-se.

Quanto à dívida pública, o CFP prevê um rácio próximo de 81,5% do PIB em 2030, com uma redução acumulada de 8,1 p.p. entre 2025 e 2030.

É de destacar ainda que esta projeção do CFP é em políticas invariantes, pelo que "não considera alguns fatores que poderão influenciar a trajetória orçamental", como a alocação adicional de despesa com a defesa que permita atingir os compromissos assumidos no âmbito da NATO, as medidas de resposta às intempéries que não foram quantificadas e o impacto do programa PTRR - Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência.

Pessimismo na economia

O CFP está mais pessimista quanto ao crescimento da economia portuguesa, que antecipa que será de 1,6% em 2026, segundo as Perspetivas Económicas e Orçamentais divulgadas.

A instituição reviu em baixa a previsão em 0,2 pontos percentuais face ao cenário de setembro, quando projetava um crescimento de 1,8%, um registo "ainda assim superior às últimas projeções disponíveis para a área do euro", lê-se no relatório.

Esta revisão acontece depois das tempestades sentidas entre janeiro e fevereiro, particularmente na região Centro, com a recuperação a enfrentar alguns desafios, além da "possível inviabilização de projetos de investimento face ao risco de repetição de fenómenos semelhantes".

Além disso, o conflito no Médio Oriente afeta também a atividade económica, sendo que para Portugal, que é importador líquido de petróleo e gás natural, existe um efeito direto no preço dos consumidores mas também efeitos indiretos nos custos de produção, bem como impactos na confiança, nas cadeias de abastecimento e na atividade dos principais parceiros comerciais.

Já para 2027, o CFP projeta uma recuperação do crescimento para 1,8%, "apoiada pelo esbatimento do choque energético, seguida de uma convergência gradual para 1,6% no final do horizonte de projeção".

Esta previsão para o próximo ano é mais otimista do que aquela inscrita no relatório de setembro, que apontava para um crescimento de 1,6%.

"A aceleração de 2027 deverá ser determinada pela melhoria das perspetivas das exportações, pela dissipação dos elevados níveis de incerteza e por um impulso temporário ao rendimento disponível associado ao aumento dos reembolsos de IRS", explica o organismo liderado por Nazaré Costa Cabral.

O CFP prevê crescimentos de 1,7% em 2028 e 2029 e de 1,6% em 2030.

Já o Governo inscreveu no Orçamento do Estado para 2026 uma previsão de crescimento de 2,3% este ano.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Economia

Mais Economia

Mais Lidas