Sem identificação e localização: quatro mil menores continuam sem proteção em Ceuta

Agencia EFE , TFR
13 ago, 11:37
Migrantes marroquinos escoltados até à fronteira em Ceuta (Bernat Armangue/AP)
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Entre os menores que continuam na rua, a equipa da organização identificou crianças e jovens sozinhos, alguns com menos de 16 anos

Cerca de quatro mil menores continuam fora do sistema de proteção de Ceuta, a aguardar identificação, localização e encaminhamento para os serviços sociais, segundo a Save the Children, duas semanas depois da entrada em massa de mais de 70.000 pessoas de forma irregular pela fronteira com Marrocos.

Muitas destas crianças e adolescentes permanecem na rua, sem um lugar seguro onde dormir nem acesso adequado a serviços básicos, informou esta organização não governamental.

Cerca de 1.500 menores encontram-se atualmente dentro do sistema de proteção, segundo a estimativa da Save the Children, que esclareceu que o número dos que aguardam identificação é uma estimativa, devido à dificuldade em localizar todos os que permanecem em diferentes pontos da cidade.

Entre os menores que continuam na rua, a equipa da organização identificou crianças e jovens sozinhos, alguns com menos de 16 anos, uma situação que preocupa especialmente devido ao risco de exposição a violência, exploração, tráfico e recrutamento por redes criminosas.

“Cada dia que permanecem nesta situação aumenta a sua exposição a diferentes formas de violência e, no caso das meninas, incluindo violência sexual, exploração ou tráfico. Não podemos esperar mais para os colocar em segurança”, alertou a especialista em migrações da Save the Children, Jennifer Zuppiroli.

Perante a falta de recursos, associações de moradores e entidades sociais estão a disponibilizar espaços de acolhimento e a fornecer alimentos, produtos de higiene e outros bens básicos, além de tentarem identificar os menores que permanecem fora do sistema.

Esta quinta-feira, o Ministério da Juventude e Infância de Espanha e as comunidades autónomas vão abordar a situação de Ceuta e o crédito extraordinário de 25 milhões de euros previsto para estas intervenções.

A situação é particularmente delicada nos armazéns de Tarajal e noutros espaços de emergência disponibilizados, onde, segundo a Save the Children, as condições continuam a ser “muito precárias”.

A ONG garante que, em alguns destes locais, a alimentação está limitada a uma refeição por dia e faltam produtos de higiene.

Entre as pessoas assistidas encontram-se famílias com bebés e crianças pequenas, incluindo mães que estão sozinhas com os filhos e têm dificuldades em satisfazer necessidades básicas como fraldas, alimentação ou produtos de higiene.

A organização também recolheu testemunhos de meninas que afirmam sofrer de infeções urinárias devido à falta de acesso adequado a cuidados de saúde.

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