"Marrocos flexibiliza e endurece as políticas quando quer. Agora, o problema é nosso": está em curso a maior crise migratória de Ceuta
As imagens dos milhares de migrantes que entraram em Espanha a nado e a festejar
Novas imagens mostram a dimensão da passagem a nado de marroquinos para Espanha
As impressionantes imagens da entrada de milhares de marroquinos em Ceuta
Itália admite suspender a livre circulação com Espanha e França já anunciou um reforço de fronteiras
A cidade de Ceuta enfrenta a maior crise migratória da sua história, descrita pelos agentes no terreno como uma situação de "caos absoluto" e colapso das forças de segurança. Após milhares de pessoas terem forçado a entrada por terra e mar no exclave espanhol no Norte de África, a cidade acordou com centenas de jovens migrantes a dormir no chão de parques e vias públicas.
Segundo estimativas do Ministério do Interior de Espanha, cerca de 49 mil pessoas terão entrado na região, um volume que está a surpreender o território que conta com pouco mais de 80 mil habitantes.
O incidente supera largamente o recorde anterior de 2021, quando dez mil pessoas forçaram a entrada no exclave. Em paralelo, o território vizinho de Melilha registou a entrada de 300 a 400 pessoas durante a noite, embora as autoridades locais descartem, para já, um cenário de gravidade idêntica ao de Ceuta.
Pedro Sánchez prepara-se para visitar Ceuta ainda esta sexta-feira, sendo que o rei de Espanha está em contacto permanente com o primeiro-ministro.
Ainda durante a noite desta quinta-feira, o Ministério do Interior de Espanha informou que as Forças Armadas iriam enviar 60 unidades para ajudarem a polícia local a controlar a situação. No entanto, esta decisão aconteceu apenas oito horas depois do início da entrada dos migrantes, sendo que havia pouco mais de 50 unidades das forças de segurança no local quando se deu a travessia.
Em declarações ao jornal El Mundo, fonte da Guardia Civil aponta o dedo às autoridades espanholas, garantindo que Espanha estava a par de que "durante dias" milhares de jovens "começaram a chegar de toda a parte do país" à fronteira com Marrocos. Até agora foram encontrados 19 corpos entre os milhares que atravessaram.
"Tem havido uma certa permissividade. A colaboração destes últimos dias limitou-se a recolher num barco aqueles que se aproximavam a nado e que lhe eram vistos no meio do mar numa embarcação. Ontem, as portas de Ceuta já estavam abertas. Os políticos dirão que não, porque não é conveniente, mas isso não acontece se o vizinho não quiser", afirmou.
"Marrocos flexibiliza e endurece as políticas em relação aos imigrantes quando quer. Mas esta situação é pior do que em 2021. Já se previa que isto fosse acontecer e não foram tomadas quaisquer medidas. Temos tido mais de 200 nadadores a entrar todos os dias há mais de uma semana. Como nada foi feito, as pessoas têm-se organizado e lançaram-se a tentar a sorte. Agora, o problema é nosso", disse outro agente da Guardia Civil espanhola, que recusou identificar-se.
O problema está mesmo a provocar já algum burburinho diplomático, com vários países europeus a reagirem a esta situação. Itália anunciou que está a discutir o eventual encerramento do Espaço Schengen com Espanha, o que cortaria a livre circulação entre os dois países. Desde França, o ministro do Interior referiu que os controlos na fronteira vão ser reforçados.
