Corpos já foram recuperados da água
Pelo menos 18 migrantes morreram ao tentarem nadar de Marrocos até ao enclave espanhol de Ceuta, onde centenas de pessoas chegaram esta quinta-feira ilegalmente, disse à agência de notícias francesa AFP a representação do governo espanhol naaquele território.
"Nove corpos" de migrantes foram recuperados, declarou uma porta-voz da delegação do governo, sem fornecer mais detalhes.
O ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, disse que quer suspender a Espanha do espaço Schengen, depois de centenas de migrantes terem chegado ilegalmente ao enclave espanhol.
Em Ceuta "as Forças Armadas [espanholas] vão reforçar a Guardia Civil no exercício das suas competências e das que possam ser necessárias para manter a segurança na cidade de Ceuta", indicou o ministério espanhol do Interior.
O número de soldados não foi especificado, mas a Guardia Civil será reforçada com 70 agentes, que se juntarão aos 80 já presentes no local, e serão enviadas equipas de mergulhadores assim como navios da guarda costeira.
Várias centenas de pessoas, na sua maioria homens e adolescentes, entraram ilegalmente em Ceuta, juntando-se aos mais de 1.500 migrantes que chegaram "nos últimos dias", segundo as autoridades regionais, que já tinham anunciado pelo menos um morto.
Dezenas destes imigrantes chegaram a nado, segundo imagens filmadas por uma jornalista da AFP, e alguns entraram por um posto fronteiriço localizado a sul deste pequeno território de 18,5 quilómetros quadrados.
Esta é chegada de migrantes mais importante desde 2021, quando mais de 10 mil pessoas atravessaram a fronteira em dois dias para chegar a Ceuta.
Os migrantes gritaram "adeus Marrocos, olá Espanha!" à chegada. Boias, barbatanas e fatos de neoprene estavam espalhados numa praia da cidade de manhã, constatou a AFP.
Do lado marroquino, um correspondente da AFP viu centenas de pessoas, incluindo menores, reunidas na fronteira entre a cidade marroquina de Fnideq e Ceuta, chegaram na sequência de rumores de que a fronteira abriria ao amanhecer, segundo testemunhos recolhidos no local.
Mais de 1.500 pessoas chegaram "nos últimos dias", a um ritmo de "200 pessoas por dia" em média, indicou o presidente da cidade autónoma de Ceuta, Juan Vivas, falando de urgência "absoluta" em centros de acolhimento "sobrecarregados e saturados".
O ministro espanhol do Interior, Fernando Grande-Marlaska, anunciou que se deslocará a Ceuta na sexta-feira "para acompanhar a evolução da situação" e encontrar as autoridades locais, elogiando também a "cooperação exemplar" com Marrocos.
Mas a oposição espanhola apoderou-se do tema. Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular, partido de oposição de direita, denunciou assim "uma situação desesperada" e "uma crise de segurança nacional".
Ceuta, assim como o outro enclave espanhol de Melilla, a quase 400 quilómetros mais a leste, constituem as únicas fronteiras terrestres da União Europeia no continente africano.
