Reunião de emergência serviu para unir todas as vozes em torno de Espanha, isto depois de 22 países terem adotado uma postura contra o governo de Pedro Sánchez
A esmagadora maioria da União Europeia entrou para esta semana em rota de colisão com Espanha por causa da crise migratória que fez entrar em Ceuta não 50, não 60, mas, afinal, 70 mil migrantes vindos de Marrocos.
Apenas com o apoio de Portugal, França, Irlanda e Luxemburgo, Espanha parece ter saído viva desta reunião, com as primeiras declarações a demonstrarem uma união em torno da ação do país, depois de Itália, Dinamarca ou Alemanha terem colocado o governo de Pedro Sánchez em xeque.
À saída de uma reunião que juntou os ministros da Administração dos 27, o comissário europeu para as Migrações garantiu que a coesão do bloco não está em causa, ainda que o que aconteceu em Ceuta não seja “um bom sinal”, nomeadamente a medida aprovada pelo governo de legalizar 500 mil imigrantes em situação irregular.
Magnus Brunner sublinhou que “não se vê uma relação direta entre a regularização [de imigrantes em Espanha] e os incidentes em Ceuta”, pelo que também não houve lugar a críticas a Espanha.
Isto depois de dias tensos, com Itália a desempenhar um papel particularmente agressivo, colocando-se na frente de um pelotão de países que defendiam a suspensão do acordo de Schengen com Espanha.
O que aconteceu em Ceuta é, então, culpa das máfias e das redes sociais, de acordo com as conclusões da reunião. Magnus Brunner fez eco do que já tinham dito vários responsáveis europeus, lamentando que “redes criminosas de contrabando [de pessoas] e a desinformação nas redes sociais” tenham proporcionado esta situação.
Olhando para trás, o entendimento da União Europeia é que “a integridade do espaço Schengen se preservou”, o que em grande parte foi possível pela cooperação com Espanha, que foi “posta à prova”.
É uma conclusão que a União Europeia já tinha antecipado por Ursula von der Leyen e por António Costa, com Portugal a ser dos poucos países a lembrar que não havia perigo de passagem para a Península Ibérica, tendo em conta o caráter especial de Ceuta.
“Esta semana colocou-nos à prova, em velocidade por um lado, mas também em solidariedade”, reiterou Magnus Brunner, que destacou também a “resiliência à desinformação”.
Olhando agora para a frente, e com Espanha a dizer que já saíram 70 dos 72 mil migrantes que entraram no espaço de horas, a União Europeia oferece toda a ajuda necessária, incluindo financeiramente, para reforçar a proteção na fronteira da cidade autónoma.
Dinheiro esse que também terá de ser gasto para acolher as crianças que ficaram sozinhas em território espanhol - já foram disponibilizados 25 milhões de euros. Não se sabe ainda ao certo quantas são e nas redes sociais multiplicam-se as imagens de menores a pedir às Forças Armadas que não os expulsem.
O ministro do Interior de Espanha garantiu que o país vai “respeitar os direitos fundamentais dos menores e dos maiores, de todas as pessoas”. De resto, Fernando Grande-Marlaska sublinhou que esta é “uma das nossas obrigações e prioridades”.
Perante as dúvidas na avaliação das secretas espanholas, o ministro reiterou que não havia quaisquer informações que apontassem que algo deste género poderia acontecer.
Apesar da aparente acalmia, falta perceber se países como Itália têm exatamente o mesmo entendimento da reunião.
