"Pagaram a Marrocos para invadir Espanha", acusa ex-apoiante de Trump. O projeto-lei aprovado há duas semanas que define Ceuta como "território marroquino"

CNN Portugal , JAV
3 ago, 13:52
Migrantes em Ceuta (AP)
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Projeto-lei aprovado pelo Partido Republicano em meados de julho atribui 40 milhões de dólares a Marrocos e refere que Ceuta e Melilla estão “situados em território marroquino”, ignorando o facto de pertencerem formalmente a Espanha. No mesmo projeto-lei, comissão de maioria republicana diz que o Departamento de Estado de Trump deve debater o “futuro estatuto” dos exclaves com os espanhóis

“Vi Espanha ontem e acompanhei a catástrofe que ocorreu, parece a invasão de um país. Centenas de milhares de pessoas. E vai acontecer-nos o mesmo se os republicanos não forem eleitos – só que pior, numa escala muito maior e com muito mais facilidade de entrada.”

Foi assim que Donald Trump, o presidente dos EUA, reagiu à entrada ilegal de cerca de 60 mil imigrantes marroquinos em Espanha através de Ceuta, um de dois exclaves do país no norte de Marrocos. O uso do mais recente foco de crise migratória na União Europeia como arma de arremesso política por Trump teve lugar há três dias, poucas horas depois do sucedido. 

Dias depois, no domingo, o deputado republicano Thomas Massie questionou a coincidência de o partido do presidente ter aprovado um novo pacote de fundos a Marrocos com alíneas questionáveis sobre Ceuta e Melilla.

“Duas semanas antes de os migrantes vindos de Marrocos invadirem Ceuta”, escreveu Massie ontem na rede social X, “o Partido Republicano aprovou um projecto de lei que atribui 40 milhões de dólares a Marrocos”. Mais do que isso, adiantou a aprovação desses fundos veio acompanhada de um relatório de uma comissão onde é referido que “as cidades de Ceuta e Melilla, administradas por Espanha, estão situadas em território marroquino e continuam a ser objecto de uma reivindicação de longa data por parte de Marrocos”.

Aproveitando a publicação de Massie, a ex-deputada republicana e ex-apoiante de Trump Marjorie Taylor Green recorreu à mesma rede social para sublinhar aos seus seguidos que “os republicanos pagaram 40 MILHÕES de dólares do dinheiro dos vossos impostos a Marrocos para invadir Espanha e depois fingiram que as fronteiras importam e escandalizaram-se, como se as invasões fossem algo ofensivo”. Greene também defendeu que “republicanos e democratas são a mesma coisa” e que “o ‘partido único’ criou uma dívida de 40 biliões de dólares e colocou os americanos EM ÚLTIMO LUGAR”.

No mesmo projeto-lei, a comissão de apropriações da Câmara dos Representantes refere que “apoia os esforços do secretário de Estado para encorajar o envolvimento diplomático entre Marrocos e Espanha sobre o futuro estatuto de Ceuta e Melilla” e destaca “a aliança histórica entre os Estados Unidos e Marrocos, formalizada em 1786 pelo Tratado de Paz e Amizade Marroquino-Americano”.

A Casa Branca e o Departamento de Estado ainda não responderam às acusações de Massie. No final da semana passada, em reação ao que aconteceu em Ceuta, o Departamento de Estado foi ainda mais categórico do que Trump ao atribuir a responsabilidade direta ao governo espanhol de Pedro Sánchez.

“Este incidente inaceitável é o resultado direto dos esforços deliberados do governo espanhol para viabilizar e facilitar a migração ilegal em massa para a Europa”, acusou em comunicado. “Estamos a avaliar medidas para proteger os americanos, tanto em território nacional como no estrangeiro, contra esta ameaça e estamos prontos para ajudar outros aliados europeus que estejam a considerar opções semelhantes.”

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