Empresários de Ceuta dizem já ter perdido quase 18 milhões de euros com a crise migratória

Agencia EFE , MFP
10 ago, 13:41
Cartaz asilo migrantes Marrocos Espanha Ceuta (Bernat Armangue/AP)
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Presidente da Câmara do Comércia do exclave espanhol chamou à atenção para os danos provocados na "marca Ceuta", depois de anos de trabalho conjunto das administrações para apresentar a cidade como um território seguro, aberto e atrativo para o investimento

A crise migratória provocou, até ao momento, perdas económicas em Ceuta estimadas em 17,9 milhões de euros, um valor que poderá subir para 27,7 milhões até ao final de agosto se a situação atual se mantiver, segundo um estudo elaborado pela Câmara de Comércio.

O estudo alerta também para os danos reputacionais que as imagens destes dias estão a causar à cidade enquanto destino turístico e de investimento.

O presidente da Câmara de Comércio, Karim Bulaix, compareceu esta segunda-feira, juntamente com o secretário-geral da instituição, Joaquín Mollinedo, para explicar as ações desenvolvidas desde o início da crise e apresentar as principais reivindicações do tecido empresarial de Ceuta.

Bulaix exigiu ao Estado medidas "contundentes e rápidas" para evitar que o impacto económico se agrave e avisou que "a cicatriz que vai ficar depois desta ferida" será mais profunda se a situação se prolongar.

Segundo os dados apresentados pela Câmara, os primeiros dias de encerramento ou redução da atividade dos estabelecimentos após a entrada em massa de migrantes a 30 de julho representaram perdas de cerca de 7,7 milhões de euros.

A este montante somam-se os 10,2 milhões de euros que a instituição calcula terem deixado de ser gerados devido à suspensão das festas patronais, enquanto outros 10 milhões poderão ser perdidos até ao final de agosto se a normalidade não for recuperada, o que representaria um montante total equivalente a 1,4% do PIB de Ceuta.

Um dos principais efeitos económicos apontados pela Câmara deve-se à suspensão das festas patronais da cidade, uma vez que calcula que estas geram 10,2 milhões de euros, não apenas para os feirantes, mas também para hotéis, empresas de fornecimentos, serviços de segurança, restauração, táxis e outros negócios que beneficiam da chegada de visitantes.

A este cenário soma-se o impacto na campanha de verão, uma vez que a Câmara estima que, se as atuais circunstâncias se prolongarem, poderão deixar de ser gerados outros 2,4 milhões de euros.

Bulaix chamou também a atenção para os danos provocados na "marca Ceuta", depois de anos de trabalho conjunto das administrações para apresentar a cidade como um território seguro, aberto e atrativo para o investimento.

Afirmou que algumas empresas com as quais a Câmara trabalhava há anos para que se instalassem em Ceuta decidiram suspender os seus planos perante a incerteza.

Entre as principais reivindicações apresentadas pela Câmara de Comércio ao Governo está a garantia da segurança para que todos os estabelecimentos possam abrir com normalidade.

A instituição pediu também apoios específicos para as pequenas e médias empresas e os trabalhadores independentes afetados, além de medidas estruturais para melhorar a competitividade de Ceuta, entre elas a recuperação das condições anteriores da bonificação das contribuições para a Segurança Social, o alargamento dos setores beneficiários e o avanço na reforma do imposto sobre as sociedades.

Além disso, reivindicou um plano específico para recuperar a imagem de Ceuta, através de campanhas de promoção, participação em fóruns nacionais e internacionais e organização de eventos que contribuam para transmitir uma imagem de normalidade e segurança.

Bulaix insistiu ainda na necessidade de expulsão das pessoas que entraram ilegalmente na cidade, do reforço das forças e dos corpos de segurança do Estado e de uma solução definitiva que evite que uma situação semelhante volte a repetir-se.

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