Em cada 100 partos no SNS 33 são cesarianas

14 fev, 08:00
Parto (Getty Images)

Em 2025, os nascimentos através deste método cirúrgico cresceram 5,5%

Um terço dos partos feitos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) são cesarianas. O valor está muito acima do que é recomendado e cresce de ano para ano. Em 2025, voltou a bater recordes. Os dados constam de um relatório da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), que avaliou o desempenho de todos os hospitais do SNS durante o ano passado (menos a PPP do Hospital de Cascais) e que mostra que, neste momento, a taxa de cesarianas se situa nos 33,2%, mais do dobro do que é indicado pela Organização Mundial de Saúde (abaixo dos 15%).

Segundo o relatório da ACSS, a que a TVI/CNN teve acesso, no ano passado foram realizados 63.897 partos e, destes, 21.224 foram cesarianas, assistindo-se a um aumento de 5,5% deste procedimento desde 2024.

Há Unidades Locais de Saúde (ULS) em que quase metade dos partos são de cesariana. É o caso da ULS do Nordeste, em Bragança, onde a taxa de cesariana é de 46%. Dos 459 partos, 211 foram através de método – um crescimento de 34,4% em relação a 2024.

No Alentejo o cenário é semelhante. Tanto na ULS do Baixo Alentejo, em Beja, como na ULS do Alentejo Central, em Évora, 39,4% dos nascimentos foram através de cesariana. E na ULS do Alto Alentejo, em Portalegre, dos 446 partos 165 foram feitos por esse mesmo método (37%). 

Entre os hospitais com maior taxa deste tipo de parto está também o Amadora-Sintra, com um valor de 37%. Neste estabelecimento de saúde foram registados 3.002 partos e 1.131 foram cesarianas.

Já o Hospital de Santa Maria foi o que registou maior aumento em relação ao ano anterior, uma vez que a unidade esteve encerrada para obras. Foram feitas 769 cesarianas, uma subida de 288,5% em relação a 2024. Ao todo, a taxa deste tipo de procedimento representa 28,5% de todos os nascimentos (2.702). Nesta ULS, o aumento de cesarianas foi acompanhado de um aumento também elevado do número de nascimentos.

Aliás, apesar da crise nas urgências de obstetrícia que marcou 2025, nos hospitais públicos nasceram mais crianças. Ao todo, de norte a sul assistiu-se a mais 3,9% partos do que em 2024. Coimbra foi o campeão, com 5.165 nascimentos de bebés. Mas, destes, 1.287, ou seja, um quarto, ainda foi por cesariana. Coimbra destacou-se igualmente por ser um dos estabelecimentos onde, apesar de os números deste método cirúrgico serem ainda elevados, conseguiu baixar em 6,3%. 

Já o hospital do país que menos percentagem de cesarianas fez foi o de Castelo Branco: dos 606 partos só 105 foram cesarianas, isto é, 17,3%.

Mas na maioria dos hospitais assistiu-se a uma tendência de aumento, que já vem de anos anteriores. 

O Executivo, segundo adiantaram fontes governamentais, quer apurar se esse aumento “está relacionado com o eventual envio de casos complexos do privado” ou se resulta de uma opção da ULS ou dos médicos. A ministra Ana Paula Martins aguarda, aliás, a conclusão de uma análise que pediu à Direção-Geral da Saúde sobre as cesarianas feitas no SNS.

País

Mais País