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O exercício muda o cérebro de uma forma que ajuda o coração: especialmente para pessoas com depressão

CNN , Madeline Holcombe
30 mai, 16:00
Exercício físico (MoMo Productions/Digital Vision/Getty Images via CNN)

Está tudo ligado. Descubra como neste artigo

É do conhecimento geral que o exercício é bom para a saúde mental e cardíaca – e um novo estudo sugere agora que os três estão a trabalhar em conjunto.

Além dos benefícios físicos do exercício, está também associado à redução dos sinais de stress no cérebro, o que leva à diminuição dos riscos de doenças cardiovasculares, mostra o estudo.

Os investigadores analisaram dados de mais de 50 mil adultos com cerca de 60 anos do biobanco Mass General Brigham Biobank, segundo o estudo publicado no Journal of the American College of Cardiology.

O estudo olhou para um questionário respondido pelos participantes acerca da sua atividade física, imagens dos seus cérebros para monitorizar as atividades relacionadas com o stress, e registos digitais de episódios cardiovasculares.

“Os indivíduos que se exercitam mais tiveram uma redução gradual nos sinais no cérebro relacionados com o stress”, explicou Ahmed Tawakol, o principal autor do estudo, cardiologista do Mass General Hospital e professor associado de Medicina na Harvard Medical School, em Boston.

“Encontrámos boas associações de que o exercício parecia, em parte, reduzir os riscos de doenças cardiovasculares, ao diminuir os sinais relacionados com o stress”, juntou.

Todos deviam prestar atenção sempre que surgirem estudos que mostrem este tipo de melhorias como resultado de uma mudança no estilo de vida, defendeu Andrew Freeman, diretor da área de prevenção cardiovascular e bem-estar da National Jewish Health. Freeman não esteve envolvido no estudo referido.

“Estas mudanças são, de facto económicas. E a magnitude das melhorias é incrível. São muitas vezes melhores do que as alcançadas com muitos medicamentos. Devíamos colocar estas ferramentas no nosso arsenal, para uso imediato”, juntou.

Efeito duplo para pessoas com depressão

Tawakol e a sua equipa também queriam apurar se as pessoas com mais sinais cerebrais relacionados com o stress teriam maiores benefícios ao praticar exercício, explicou.

“Surpreendentemente, também encontrámos um aumento dos benefícios do exercício em indivíduos que estão deprimidos, mais do que o dobro, quando comparado com aqueles que não têm depressão ou historial da doença”, referiu Tawakol.

A relação entre a quantidade de exercício e a quebra nos níveis de risco de doenças cardiovasculares também apresentou variações quando a pessoa tinha um historial de depressão, juntou.

Para as pessoas sem qualquer historial de depressão, os benefícios do exercício na redução de doenças cardiovasculares estabilizaram após cerca de 300 minutos de atividade física moderada por semana. Contudo, para as pessoas com depressão, os benefícios mostraram-se proporcionais ao tempo gasto, afirmou Tawakol.

Procure um exercício que lhe dê prazer e pratique-o regularmente, aconselhou Andrew Freeman, diretor da área de prevenção cardiovascular e bem-estar da National Jewish Health, que não esteve envolvido no estudo referido neste artigo (Oleg Breslavtsev/Moment RF/Getty Images)

Estes benefícios juntam-se aos benefícios psicológicos que os investigadores já sabiam que o exercício proporciona, acrescentou.

“Sabemos que a depressão é um facto de risco importante para as doenças cardiovasculares. E que é também uma das condições mais comuns relacionadas com o stress”, afirmou Karmel Choi, psicóloga clínica e professora assistente na Harvard Medical School e no Massachusetts General Hospital.

“Embora algumas pessoas possam ser mais suscetíveis ao stress e às suas consequências para a saúde, vemos neste estudo que também poderão beneficiar mais do exercício e dos seus efeitos moduladores do stress. É algo encorajador”, acrescentou numa resposta por e-mail.

Como funciona

Tawakol explicou que o exercício reduziu os sinais de stress e aumentou os sinais corticais pré-frontais. “São ambas mudanças interessantes no cérebro”, disse.

O córtex pré-frontal é a parte do cérebro responsável pelas funções executivas, ou seja, os processos cognitivos que controlam o comportamento, juntou Tawakol.

Os sinais de stress no cérebro são associados a elementos como inflamação, maior atividade do sistema nervoso simpático, maior pressão arterial ou doenças que engrossam ou endurecem as artérias, referiu.

O especialista concretizo que o exercício pareceu reduzir, em parte, os riscos de doenças cardiovasculares ao diminuir os sinais de stress.

Contudo, estas descobertas são apenas associações. Como os investigadores observaram os participantes, em vez de conduzirem um ensaio aleatório com um grupo de controlo, não conseguem assegurar que o exercício causou essas mesmas reduções de risco ou quais os mecanismos subjacentes, argumentou.

Que exercício faz a diferença?

Não precisa de ser um atleta profissional para ter uma boa rotina de exercício, que pode ajudá-lo a progredir, apontou Freeman.

“Acontece que os seres humanos foram desenhados para se moverem, para se moverem muito. E quando o fazemos - particularmente quando estamos no exterior e rodeados de árvores – há dados que sugerem que todos esses elementos têm um impacto muito significativo no alívio do stress”.

Antes de começar a fazer exercício, Freeman recomenda que consulte antes o seu médico. O especialista aconselha depois a tentar 30 minutos de uma atividade física que o deixe ofegante – seja ela qual for.

“Se não gostar de caminhar, de andar de bicicleta, de nadar, ou do que seja, não o faça. Descubra antes uma atividade física que goste verdadeiramente”, afirmou. 

Certifique-se apenas de que é difícil para si, seja qual for o seu nível físico, acrescentou o especialista. Se consegue dizer frases inteiras enquanto faz exercício, talvez tenha chegado a hora de aumentar o nível de dificuldade.

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