PS propôs que o município se oponha à instalação fora da capital
O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, garantiu esta quarta-feira tudo fazer para que o Centro Interpretativo do 25 de Abril seja na cidade, após o PS ter proposto que o município se oponha à instalação fora da capital.
“Nós, lisboetas, obviamente temos o maior gosto, vou propor todos os locais possíveis que eu tiver […] para o senhor coronel Vasco Lourenço [presidente da Associação 25 de Abril] poder escolher, da nossa parte faremos o possível e o impossível. […] Farei tudo para que ele seja no município de Lisboa”, afirmou Carlos Moedas, após a apresentação de uma moção do PS, na reunião pública da Câmara de Lisboa, para que o município manifeste “firme oposição à intenção anunciada pelo ministro da Presidência de abandonar este projeto na cidade de Lisboa ou reconfigurá-lo”.
O documento foi rejeitado com os votos contra da maioria PSD/CDS-PP/IL e do Chega.
Carlos Moedas, considerou, porém, “ofensivo” dizer que instalando o Centro Interpretativo noutro município da Área Metropolitana de Lisboa “ele teria menos dignidade”.
No período antes da ordem do dia da reunião foi ainda apresentado pelo PCP um voto de repúdio “à atuação do presidente da Junta de Freguesia de Belém”.
João Ferreira considerou que aquele autarca “procurou de forma extremamente gravosa, instrumentalizando a Polícia Municipal, condicionar a realização de uma iniciativa de celebração do 25 de Abril, procurando intimidar os organizadores” e, assim, “limitar a realização” do evento numa freguesia “onde, por iniciativa da junta de freguesia, nada aconteceu”.
O voto de repúdio foi também subscrito por PS, Livre e BE, mas foi chumbado com os votos da maioria PSD/CDS-PP/IL e do Chega.
A vereadora socialista Alexandra Leitão acrescentou que estava presente no evento realizado no “pequeno arraial comemorativo” que acontece todos os anos no Largo da Princesa e disse saber “de fonte segura, com provas, que foi a Junta de Freguesia que enviou lá a Polícia Municipal”.
O vice-presidente da câmara, Gonçalo Reis (PSD), considerou que a Polícia Municipal se deslocou dias antes ao evento de Belém “com toda a normalidade”, recusando que a junta de freguesia “instrumentaliza a polícia municipal”.
O autarca explicou que os agentes municipais falaram com a PSP e que a polícia quando se desloca aos locais “é o Estado de direito a funcionar”.
O vereador João Ferreira, em protesto, contrapôs que “a Polícia Municipal não foi antes”, mas sim ao próprio evento, quando quem lá estava era a PSP, e que a deslocação serviu para “identificar os promotores da iniciativa”.
Aliás, acrescentou o autarca comunista, o presidente da Junta de Freguesia enviou um ‘e-mail’ a vários participantes a questionar se “o evento foi organizado pelo PCP”, entre outras questões, numa “atitude persecutória de outros tempos”.
O presidente da autarquia disse ter conhecimento de que a Junta de Freguesia apenas comunicou a realização do evento à Polícia Municipal, mas a vereadora Alexandra Leitão, com base em ‘e-mails’, assegurou que a autarquia de Belém solicitou à polícia municipal que “fosse identificar as pessoas”.
Para a autarca socialista, com o que se passou em Belém, e aludindo o recente discurso do chefe de Estado, António José Seguro, “é assim que a liberdade se vai perdendo aos poucos, como alertou o senhor Presidente da República”.
A Comissão de Cidadãos para as Celebrações do 25 de Abril em Belém divulgou um comunicado a repudiar “firmemente a denúncia praticada pela Junta de Freguesia”, considerando-a um “ato bizarro no que tem de pretender bloquear, na freguesia, a celebração do processo histórico que produziu o regime democrático do qual esta autarquia local é fruto”.