Estudo revela que uma constipação pode deixar defesas contra a covid-19

11 jan, 09:36

Investigação do Imperial College de Londres descobriu que algumas pessoas que viviam com infetados por covid-19 não apanharam a doença porque tinham sistema imunitário reforçado após uma simples constipação

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É um estudo pequeno, mas pode ter informação relevante para que os cientistas percebam como é que o corpo humano luta contra o vírus que causa a covid-19. Segundo uma investigação agora publicada na revista Nature Communications, quem esteve constipado pode ter melhores armas para lutar contra o SARS-CoV-2.

O vírus responsável pela covid-19 é um coronavírus e sabe-se que cerca de 10% a 15% das constipações são causadas por coronavírus da mesma família do SARS-CoV-2. Assim, quando os cientistas procuraram perceber porque é que algumas pessoas eram contagiadas com covid-19 pelos seus coabitantes e outras não, colocaram a hipótese de que aquelas que não eram infetadas teriam imunidade natural causada, por exemplo, por uma simples constipação.

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A equipa do Imperial College de Londres focou então o seu estudo nas células T, determinantes para o sistema imunitário e que são capazes de neutralizar as células infectadas por uma ameaça específica, como o vírus que causa as constipações. Logo que o vírus seja eliminado, algumas células T permanecem no corpo como um banco de memória, guardando a capacidade de resistirem e defenderem o organismo no próximo encontro com aquele vírus.

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Os investigadores recrutaram, em setembro de 2020, 52 pessoas que ainda não tinham sido vacinadas contra a covid-19 mas que viviam com outras que tinham acabado de receber um teste positivo para a doença. Metade deste grupo acabou infetado nos 28 dias seguintes, a outra metade não. E um terço do grupo que não teve covid-19 registava elevados níveis de células T específicas no sangue, que terão surgido quando o sistema imunitário lutou contra outro tipo de coronavírus - provavelmente, uma constipação.

Os cientistas admitem que outras variáveis devem ser levadas em conta no caso da não infeção, nomeadamente a ventilação dos locais que os participantes no estudo partilhavam com infetados, ou mesmo a carga viral do doente. “Estes dados não devem ser interpretados em demasia. Parece improvável que todas as pessoas que morreram ou tiveram infeções mais graves [de covid-19] nunca tenham tido uma constipação causada por um coronavírus”, avisa Simon Clarke, da Universidade de Reading, citado pela BBC. “Pode ser um erro grave pensar que qualquer pessoa que teve recentemente uma constipação está protegido contra a covid-19”, sublinha o especialista.

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Para Ajit Lalvani, o autor do estudo agora publicado, a maior proteção é oferecida pelas vacinas, ainda que este tipo de pesquisa possa ser relevante para que se perceba como é que o sistema imunitário reage. “Aprender com aquilo que o corpo faz bem pode ajudar a conceber novas vacinas”, garante.

Atualmente, as vacinas contra a covid-19 atacam as proteínas spike, que ficam na área externa da estrutura do vírus e que podem mudar consoante a variante do SARS-CoV-2. Mas as células T, analisadas nesta investigação, combatem as proteínas internas do vírus, que não sofrem grandes alterações de variante para variante, pelo que uma vacina com estas características poderia oferecer uma proteção mais alargada e prolongada contra a covid-19.

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