Rui Tavares encontrou “a melhor cura para a prisão perpétua” mas Francisco Rodrigues dos Santos contra-atacou com o “Joacinismo”

10 jan, 23:57

Fundador do Livre socorreu-se no debate entre ambos de todas as armas que conseguiu: impostos, questões de género, touradas e aulas da telescola. Sempre com um objetivo de desarmar o adversário com as suas próprias ideias. Francisco Rodrigues dos Santos foi respondendo às acusações, uma a uma, para, no final, reforçar que só quer acordos com o PSD. O resto da direita fica de fora

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Uma das medidas mais polémicas do Livre abriu o debate na CNN Portugal. Perante a chuva de críticas ao rendimento básico incondicional, Rui Tavares reconhece uma “certeza”: “é a melhor cura para a prisão perpétua”, que o país ficou a discutir após o embate entre Rui Rio e André Ventura.

A medida não é para todos na primeira fase, vincou o líder do Livre. E há contas de quanto pode custar. Do Canadá, o fundador do Livre trouxe um projeto que custa 30 milhões de euros. Do Brasil, um outro assente numa “moeda local” - isto é, uma moeda diferente do euro e que só se pode utilizar para determinados fins.

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E, com os 30 milhões, havia de lançar o ataque ao rival do frente a frente, o centrista Francisco Rodrigues dos Santos. Porque em Lisboa, onde o CDS-PP está coligado com o PSD, a devolução parcial do IRS vai custar esse mesmo valor. “Em Portugal pode fazer-se um projeto piloto para responder às perguntas que todos temos mais barato do que o que se vai dar aos mais ricos dos portugueses só no município de Lisboa”, referiu Rui Tavares.

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Francisco Rodrigues dos Santos havia de rejeitar completamente a ideia de um rendimento básico incondicional, socorrendo-se da falta de mão-de-obra que há no país. “Quando há tantos sectores de atividade que não têm mão-de-obra porque as pessoas não querem trabalhar, é um absurdo esta proposta”, classificou. O adjetivo só haveria de chegar depois do democrata-cristão atirar diretamente ao programa do Livre, “uma fábrica de impostos que ameaça eutanasiar a nossa economia de uma vez por todas”. “Pornografia fiscal”, como classificou.

Mal teve oportunidade de ripostar, Rui Tavares aproveitou para lembrar que “pornografia fiscal” é uma “expressão de que [Francisco Rodrigues dos Santos] gosta muito”, tendo-a já aplicado aos socialistas. E, se o tema eram os impostos, quis saber como é que o CDS-PP os quer descer. No programa eleitoral centrista, disse o candidato do Livre, não encontrou explicações.

Debate foi transmitido pela CNN Portugal (Foto: Armanda Claro / Media Capital)

Arnaldo Matos, Soares e Cunhal: como Rodrigues dos Santos respondeu à liberdade do Livre

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“Comunismo puro.” Foi desta forma que o presidente do CDS-PP descreve a intenção do Livre em “limitar os prémios atribuídos nas próprias empresas”. Uma intenção que, diz, lhe fez lembrar os tempos do Processo Revolucionário em Curso (PREC): “Rui Tavares é o Arnaldo Matos e o Livre o MRPP”.

Mas este não seria o único entre os históricos da esquerda que o líder do CDS havia de sacar no debate. Se os centristas querem liberdade na hora de escolher a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, estranham que o Livre não compreenda a intenção quando quer eliminar dos currículos a Educação Moral e Religiosa Católica. “O laicismo radical que o Rui propõe é uma forma de intolerância religiosa. Isso nem Mário Soares nem Álvaro Cunhal alguma vez entraram por aí, porque reconheceram que estas teorias anticristãs tinham morrido na Primeira República”, argumentou.

É em nome da liberdade que Francisco Rodrigues dos Santos quer ainda acabar também com a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, por considerar que se desviou do “propósito inicial” e por ser um “projeto de difusão da ideologia de género”. Rui Tavares lamentou a “obsessão” do partido, que quer “criar um papão da ideologia do género”. “O CDS acha que uma criança de seis anos deve assistir a uma tourada mas um jovem de 15 anos não pode ouvir falar de empreendedorismo [numa aula de Cidadania].” 

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Rui Tavares procurou desarmar o rival em vários temas (Foto: Armanda Claro / Media Capital)

Um novo conceito para a História, o “Joacinismo”

Rui Tavares havia de ir mais longe, destacando que os centristas querem o mesmo IVA de 6% para o pão e para “um desporto de sangue”. Na resposta, Francisco Rodrigues dos Santos havia de recorrer à explicação de que esta é “uma arte performativa com raízes profundas na cultura portuguesa”, sendo o único espetáculo sem a taxa mínimo do imposto por “perseguição ideológica”. Da tourada à História colonial foi um instante, com o nome da antiga deputada do Livre a surgir.

“Olhei para si e estava a ver a Joacine Katar Moreira. O facto de ser historiador não lhe dá propriedade para reescrever a História, está a praticar o Joacinismo. Joacine saiu do Livre, mas o Livre ficou no Joacinismo”, atirou.

Para reagir, Rui Tavares havia de recorrer a uma passagem de um documentário partilhado na telescola. Perante as críticas do eurodeputado Nuno Melo, o CDS-PP chegou a apresentar perguntas na Assembleia da República para perceber se havia interferência do fundador do Livre na transmissão. “Para quem fala de cultura de cancelamento, não teria orgulho de se meterem no trabalho e perseguirem duas pessoas por fazerem divulgação livre de História de um historiador que, por acaso, é do Livre”, respondeu. E reforçou: “Tenho orgulho de ter escrito acerca da História do meu país”.

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Francisco Rodrigues dos Santos fez críticas ao programa do Livre (Foto: Armanda Claro / Media Capital)

Acordos só com Rio

Na fase final do debate, foi pedido a Francisco Rodrigues dos Santos que clarificasse se estava disposto a replicar a solução açoriana a nível nacional. Perante a insistência do moderador, lá chegou. “Não está em cima da mesa. Vou trabalhar para que PSD e CDS, juntos, tenham maioria”. O CDS-PP, disse, “não adere ao fanatismo populista do Chega” nem às ideias do Iniciativa Liberal.

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