Francisco Rodrigues dos Santos foi aprender com o carpinteiro João Teixeira como se gere uma empresa

27 jan, 21:10

"A esquerda, por regra, não pesca patavina de economia e o problema é que grande parte dos governantes não sabe o que é gerir uma empresa”, argumentou o líder do CDS-PP durante a visita à J&J Teixeira em Vila Nova de Gaia

João Teixeira começou a aprender carpintaria aos 16 anos. Aos 20, “ainda antes de ir para a tropa”, criou a sua própria oficina. “Era uma coisa pequenina.” Tinha apenas um empregado, José, um rapaz na altura com 11 anos que era ainda um aprendiz. “Isto foi há quase 45 anos, eram outros tempos.” João Teixeira tem agora 65 anos. A oficina continua no mesmo sítio, no cimo de um morro em Olival, Vila Nova de Gaia, mas é agora uma enorme empresa, a J&J Teixeira, com mais de 300 funcionários e negócios em todo o mundo. Mas, tal como o seu fundador, também o empregado número 1, José Ferreira, continua ali. “O número 1, o número 4, o número 10 e muitos outros. Temos muito orgulho em termos connosco essas pessoas, que começaram aqui e hoje já têm cargos de chefia. Isso diz muito sobre a nossa maneira de trabalhar.”

O orgulho de João Teixeira é visível. Ao receber esta quinta-feira à tarde o líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, João Teixeira fez questão de lhe mostrar todos os recantos, desde a fábrica ao armazém passando pelo atelier de design e pelos escritórios. “Nós fazemos tudo aqui, todo o processo: design, arquitetura, tratamento de matérias primas, fabricação. E também fazemos a montagem, temos mais 200 empregados só para assegurar as nossas montagens, em Portugal, noutro país da Europa, em África, onde quer que seja”, explica o empresário.

A carpintaria, que começou por fazer portas e janelas para pequenas habitações, está hoje presente em grandes construções - de hotéis, de restaurantes, de lojas -, assim como noutro tipo de intervenções mais ligadas ao design. “We work your dream”, lê-se nas camisolas azuis dos funcionários. E esse é o lema que João Teixeira gosta de usar: “Nós tornamos os sonhos dos nossos clientes realidade, seja que sonho for: venha ter connosco e nós concretizámo-lo”.

O segredo do sucesso são dois, diz: por um lado os clientes, por outro os empregados. “Eu fui obrigado a crescer porque os clientes começaram a ser mais exigentes e a pedir-nos coisas que nós não sabíamos fazer, mas como queria ter clientes satisfeitos ia procurar arquitetos, engenheiros, a tecnologia necessária para fazer o que eles queriam”, explica. Foi assim que a J&J Teixeira se tornou uma das “empresas modelo” do país, utilizando toda a tecnologia de ponta que existe nesta área: “Coisas que nós só víamos em fábricas estrangeiras e que achávamos que nunca íamos conseguir fazer aqui”.

Já quanto aos empregados, João Teixeira garante que faz tudo para que sejam felizes na empresa: “Há trabalhos duros, difíceis, claro que sim, mas tentamos que se sintam bem aqui. Um patrão tem de transmitir alegria. Eu conheço-os todos, sei os seus nomes, preocupo-me com eles. E todos os dias os cumprimento a todos, não há nenhum a quem não vá dizer bom dia”.

Na visita aos dirigentes do CDS-PP, por entre nuvens de pó, barulho de máquinas e cheiro a tinta e vernizes, João Teixeira foi chamando a atenção para os ecrãs colocados ao longo das instalações debitando informações úteis; para os carris que permitem o transporte dos materiais pesados pelas diferentes áreas; para a automatização e informatização de muitos dos processos; para o trabalho delicado que só pode ser cumprido pelas mãos humanas.

Na empresa já trabalham os dois filhos, a filha, um genro e uma nora. Foi a pensar neles e no seu futuro que o empresário investiu tanto na modernização: “Esta é uma empresa cada vez mais jovem. Eu vou passando a minha experiência aos mais novos, é isso que tenho de fazer, não podemos ficar parados no tempo.  Temos de nos renovar e de investir, senão as empresas acabam por morrer”.

"A esquerda, por regra, não pesca patavina de economia"

Na conversa com Francisco Rodrigues dos Santos, João Teixeira queixou-se das muitas obrigações e impostos que recaem sobre os empresários: “A maioria dos políticos não sabe o que custa gerir uma empresa, é muito fácil falar quando não têm que se preocupar em pagar os ordenados de todas as pessoas e em cumprir todas os compromissos".

Francisco Rodrigues dos Santos concordou. Ao contrário do que fariam os líderes de outros partidos, ele não foi ali para ouvir os protestos dos trabalhadores. Acenou, cumprimentou, disse umas piadas aos empregados, mas deixou claro que estava ali para ouvir o patrão.

No final da visita, afirmou que há "um tsunami que se está a abater na economia", referindo-se ao aumento do preço da energia e dos combustíveis: "Isto é uma brutalidade que os governos têm de ter em atenção, porque o que pode estar em causa é insolvências em catadupa, despedimentos e uma crise económica muito grave", alertou, acusando o primeiro-ministro de falhar "ao não ter protegido os empresários deste aumento dos custos".

"O CDS, se for Governo, vai reduzir para metade a carga de impostos sobre as faturas da eletricidade e dos combustíveis para aliviar o nosso tecido empresarial", adiantou, considerando que esta é uma “medida urgente”. Rodrigues dos Santos lembrou que o partido apresentou propostas nesse sentido e lamentou que estas tenham sido "sempre chumbadas pela maioria de esquerda", porque "a esquerda, por regra, não pesca patavina de economia e o problema é que grande parte dos governantes não sabe o que é gerir uma empresa".

"Se olharmos para o programa económico do PS, do BE, do Livre e do PCP continuam a ser fábricas de impostos, ou seja, querem estorvar ainda mais e complicar a vida dos nossos empresários", criticou Francisco Rodrigues dos Santos.

Acompanhado pela cabeça de lista pelo distrito do Porto, Filipa Correia Pinto, o líder da distrital do Porto e coordenador autárquico, Fernando Barbosa, e o vice-presidente do partido Sílvio Cervan, o líder do CDS-PP foi instado pelos jornalistas a escolher um partido da oposição a quem daria uma lixa: "Não me importava de lixar o PS e a extrema-esquerda, aparar bem", afirmou, de lixa na mão, acrescentando que "no dia 30 exportava para a oposição toda a esquerda e punha o CDS no governo de Portugal".

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