Cavaco defende a importância da UE num mundo de ameaças e conflitos

19 mai, 12:15
O ex-presidente e primeiro-ministro de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, posa com a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola (C-E), e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen (D), após receber a Ordem de Mérito Europeia durante uma cerimónia para homenagear pessoas que deram contributos significativos para a unidade europeia, a democracia ou a promoção e defesa dos valores europeus, no hemiciclo do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França, 19 de maio de 2026. EPA/SEBASTIEN BOZON / POOL MAXPPP OUT
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Cavaco Silva foi distinguido esta manhã como membro honorário da Ordem Europeia de Mérito no Parlamento Europeu em Estrasburgo

Aníbal Cavaco Silva defendeu esta segunda-feira, em Estrasburgo, que a União Europeia (UE) é um ativo da maior importância, num tempo de grande instabilidade a nível mundial. “Num tempo de grande instabilidade mundial, conflitos armados e ameaças, onde cada vez mais cada país isoladamente pouco conta, a UE é um ativo da maior importância”, sublinhou o antigo primeiro-ministro e antigo Presidente da República português.

Numa intervenção de cerca de três minutos no âmbito da distinção que lhe foi atribuída como membro honorário da Ordem Europeia de Mérito no Parlamento Europeu, Cavaco Silva disse ainda que teve o privilégio de ser primeiro-ministro na primeira década de integração europeia quando se deram grandes passos na consolidação deste projeto de interesses comuns e causas partilhadas. 

A intervenção de Cavaco Silva acabou por dividir os eurodeputados portugueses, com PSD, PS, CDS e IL a aplaudirem a distinção do antigo Presidente, ao contrário do PCP e do BE. 

Francisco Assis, eurodeputado do PS disse que encara a distinção “com todo o respeito” pois Cavaco Silva foi primeiro-ministro durante quase 10 anos, numa fase crucial da integração europeia e reconheceu que como líder do Governo e como Presidente da República, Cavaco Silva foi sempre alguém que defendeu os valores europeus.

João Cotrim de Figueiredo da Iniciativa Liberal considerou a distinção muito merecida. O eurodeputado considera que Cavaco Silva foi um primeiro-ministro que devia servir de exemplo ao atual Governo pela coragem que teve em reformar o país. A fase de maior crescimento do país coincidiu com a governação de Cavaco Silva o que mostra que a coragem de reformar é boa para o país, sublinhou. Cotrim de Figueiredo deixou ainda uma farpa ao atual primeiro-ministro, Luís Montenegro, lembrando que o executivo avançou com uma proposta de reforma laboral, mas por falta de coragem “tudo indica quer vai morrer na praia”.

À esquerda a condecoração de Cavaco Silva não convenceu os eurodeputados. Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, disse não ver sequer o sentido do prémio criado pela UE, enquanto o eurodeputado João Oliveira do PCP disse que “onde a Europa vê motivos de condecoração, o PCP vê a origem de todos os problemas do país”.   

A Ordem de Mérito Europeia é uma distinção criada em maio de 2025 por ocasião do 75º aniversário da Declaração Schuman e nomeia anualmente até 20 pessoas. É a primeira distinção europeia deste tipo concedida pelas instituições da UE, reconhecendo os esforços que fortalecem a Europa no seu conjunto. Está nova distinção honorifica, reconhece as pessoas que contribuíram de forma decisiva para a unidade, democracia, os direitos humanos e os valores europeus.

A Ordem Europeia de Mérito consiste em três graus de distinção, por ordem crescente:

- Membro da Ordem;

- Membro Honorário da Ordem;

- Membro Insigne da Ordem

Aníbal Cavaco Silva foi agora nomeado membro Honorário da Ordem Europeia de Mérito juntando-se a personalidades como Javier Solana, antigo alto representante da UE para a Política Externa e de Segurança Comum, Wolfgang Shüssel, antigo Chanceler Federal da Áustria, e
Jean Claude Trichet, antigo presidente do Banco Central Europeu, que também foram distinguidos. Foram ainda nomeados como Membro Insigne da Ordem de Mérito, Angela Merkel, antiga Chanceler alemã, Lech Walesa, antigo presidente da Polónia e Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia.

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