Bloco de Esquerda dispensa funcionários. Catarina Martins defende-se com "contas certas"

Agência Lusa , CE
15 set, 10:39
Catarina Martins (Miguel A. Lopes/Lusa)

Partido tem atualmente "metade dos funcionários que existiam" em consequência da diminuição da subvenção estatal resultante do facto de ter perdido representação parlamentar

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, justificou hoje a diminuição de funcionários do partido com a necessidade de ter “contas certas”, para que mantenha a sua independência, sem acumular dívida ou pedir favores.

“No BE há uma grande consciência por parte de todos os aderentes, não só por parte da direção, de que é fundamental a independência do partido. O BE não tem dívida. O BE não pede favores, não está preso a nenhum poder. E, por isso mesmo, tem de trabalhar com as condições financeiras que tem em cada momento. E tem de ter sempre contas certas e contas transparentes”, declarou Catarina Martins numa entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença.

A líder bloquista, que confirmou que o Bloco tem atualmente “metade dos funcionários que existiam”, sem quantificar, em consequência da diminuição da subvenção estatal resultante do facto de ter perdido representação parlamentar, passando de 19 para 5 deputados à Assembleia da República.

Catarina Martins salientou, na entrevista, que “a Entidade das Contas, ano após ano, vem reconhecendo o BE como o partido com as contas mais certas e mais transparentes”.

“Essa autonomia do nosso funcionamento é assim mesmo. Há um resultado eleitoral pior, o BE tem menos recursos financeiros e, portanto, reduz a sua estrutura porque não vai trabalhar em dívida. É difícil, sim. Mas estamos todos de acordo que esse é o caminho”, acrescentou.

Questionada se tal não é contraditório com aquilo que o partido defende no parlamento, Catarina Martins respondeu que “o BE, aliás, tem defendido que quem tem lucros não pode despedir”.

“Como infelizmente sabe, não é o caso do BE”, rematou.

Sobre a ação do partido relativamente ao aumento do custo de vida, Catarina Martins desenvolveu as ideias que vão apresentar no parlamento num debate já agendado para 06 de outubro, ao qual levam soluções contra os problemas que a subida dos juros está a causar nos créditos à habitação.

“Vamos propor medidas que estão ao alcance do Governo em Portugal. Espero que todos os partidos possam vir a jogo juntamente com o Bloco de Esquerda. Queremos garantir que as casas de habitação própria permanente não podem ser penhoradas. E achamos que é possível apoiar as pessoas que têm crédito à habitação através dos próprios lucros excessivos da banca, que teve neste ano e meio 2800 milhões euros de lucros, já depois de pagar todos os impostos”, sustentou.

Para a coordenadora bloquista, existem “lucros muito avultados do sistema financeiro que podem e devem reverter para programas que apoiem as famílias com crédito à habitação” e a possibilidade de abater créditos e reduzir no IRS admitida pelo primeiro-ministro, António Costa, é “muito poucochinho”.

“Para uma família que está aflita com a prestação a casa toda a ajuda que vier é bem-vinda. Em prestações que estão a aumentar 100 euros por mês, dizer que se vai reduzir os juros no IRS é uma gota de água. As famílias não conseguem nem chegar ao fim do mês. Não queremos uma situação de incumprimento generalizado que é péssimo para as pessoas perdem a sua casa e para a economia como um todo”, defendeu.

Sobre a taxação dos lucros extraordinários, Catarina Martins acusou António Costa de andar a ser “ultrapassado pela esquerda, pelos líderes de direita de vários países europeus e até da Comissão Europeia”.

“Ouço o António Costa a falar sobre o imposto sobre os lucros excessivos e parece que estou a ouvir o advogado da Galp. Os lucros das maiores empresas portuguesas subiram 40% no ano passado e 73% este ano depois de pagos todos os impostos. Há aqui realmente um problema de haver quem a aproveitar a situação internacional para inflacionar os preços. E sim, é preciso desencorajar e taxar”, disse.

Sobre a possibilidade uma negociação específica com o Governo em sede de Orçamento do Estado, Catarina Martins respondeu: “As maiorias absolutas são maiorias absolutas. O PS fez tudo para ter uma maioria absoluta”.

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