“Quem tem comportamentos destes não pode vestir a farda”. A reação do Bloco ao caso de Odemira

Agência Lusa , PF
17 dez 2021, 17:59
Catarina Martins
Catarina Martins

Catarina Martins afirma que também há responsabilidade da hierarquia e da tutela

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A coordenadora do BE disse hoje que as imagens das agressões de sete agentes da GNR a imigrantes em Odemira são “chocantes”, mas “não surpreendentes” e responsabilizou a hierarquia e a tutela pela manutenção dos reincidentes no terreno.

“É responsabilidade da hierarquia e da tutela seguramente. Quando nós sabemos que há casos reincidentes e as pessoas não são afastadas, significa que a hierarquia e a tutela não estão a fazer o que devem para proteger os cidadãos e as próprias forças de segurança”, afirmou Catarina Martins quando questionada pelos jornalistas, no Porto, à margem da entrega das listas de deputados às eleições legislativas de 30 de janeiro.

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Salientando que as imagens em causa são “absolutamente chocantes”, a bloquista disse, no entanto, considerar “que não são surpreendentes” em face dos casos de violência racista em Portugal, que têm vindo a ser denunciados pelas organizações internacionais e pelo próprio Bloco de Esquerda (BE).

“Nós podemos fechar os olhos ao problema ou encará-lo de frente. Muitas vezes quando chamamos a atenção para o problema dizem-nos que estamos a atacar as forças de segurança, muito pelo contrário. Defender as forças de segurança, é defender que quem veste a farda está à altura das suas responsabilidades, em que não há impunidade”, defendeu, acrescentando que “quem tem comportamentos destes não pode vestir a farda”.

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Para Catarina Martins, é a “cultura de impunidade” que cria casos como o de Odemira, onde um grupo de jovens agentes se uniram em grupo para um ato de violência racista xenófoba.

“Estamos a falar de jovens agentes que se unem em grupo para agredir imigrantes e isto é um de uma brutalidade, de uma gravidade enorme e é verdade que há uma atmosfera de impunidade porque há casos de reincidentes que continuam ao serviço das forças de segurança”, declarou.

Sem pôr em causa o direito de defesa dos acusados, a também cabeça de lista pelo círculo do Porto para as legislativas de janeiro, considera que neste caso e perante a conclusão de que os agentes tiveram uma “atitude destas”, a hierarquia e a tutela deveria ter, no “mínimo” procedido à sua suspensão.

“Não pode continuar no terreno, parece-me óbvio. Nós temos de confiar nas forças de segurança”, rematou.

 

Na quinta-feira, a GNR esclareceu que dois dos sete militares que se filmaram a torturar imigrantes asiáticos em Odemira (Beja), em 2019, encontram-se a cumprir pena de suspensão decretada pelo Ministério da Administração Interna, enquanto os outros aguardam medidas sancionatórias.

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De acordo com a GNR, três dos agentes do Destacamento Territorial de Odemira são reincidentes, depois de terem estado “envolvidos em agressões a indivíduos indostânicos”, em 2018.

O esclarecimento surge após uma investigação TVI/CNN Portugal que deu conta da acusação de sete elementos da GNR de um total de 33 crimes, por humilharem e torturarem imigrantes em Odemira.

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