O motivo é dinheiro, os alvos são carros. O roubo de catalisadores tornou-se "moda" e aqui ficam alguns conselhos para evitar este crime

20 mai, 18:00
Polícia. Foto: AP

Até janeiro de 2021, este tipo de crime ocorria pontualmente. Mas alguns componentes estão em falta devido à pandemia e dispararam no valor de mercado

Foi com o início da pandemia que este crime aumentou. De março de 2020 a maio de 2022, foram roubados 7883 catalisadores.

Estes são os números avançados pela Polícia de Segurança Pública (PSP) à CNN Portugal, que adianta já ter em curso várias operações para diminuir o número destes crimes, que causam especial impacto na sociedade.

"Os veículos não podem circular sem este componente e a recolha dos componentes realizada de forma ilegal e sem cumprir as normas de segurança ambiental é suscetível de causar perigo para o ambiente", lê-se na nota enviada pelas autoridades, que revelaram que este tipo de crime ocorria de forma pontual até janeiro de 2021.

Desde março de 2020 até maio de 2022, a PSP registou 7883 ocorrências relacionadas com o furto de catalisadores

Porquê roubar catalisadores?

A PSP aponta o elevado valor monetário dos catalisadores como a principal causa deste crime.

"A motivação para este tipo de criminalidade decorre do elevado valor de mercado dos metais preciosos existentes no interior do dispositivo de escape (catalisador), bem como a grande procura no mercado do ramo automóvel", lê-se na nota enviada pela PSP à CNN Portugal.

As autoridades apontam ainda que apesar de alguns catalisadores acabarem a ser utilizados em outros veículos, a maioria é desmantelada.

Lembre-se que o catalisador é uma peça que se encontra junto ao escape do veículo e tem vários componentes de base como o paládio, a platina, o ródio e o molibdênio, tudo elementos cuja extração foi interrompida com a pandemia, levando a um disparo no valor de mercado.

As autoridades têm identificado a revenda no mercado negro, a venda a empresas de tratamentos de resíduos ou a venda dos metais preciosos que contêm no interior como os objetivos principais para o furto de catalisadores.

São os carros mais recentes os maiores alvos para estes roubos. Isto acontece porque os materiais mais importantes do sistema vão-se desgastando ao longo do tempo.

A PSP criou em 2020 equipas especializadas na investigação criminal para análise deste tipo de ocorrências. As Equipas Regionais de Investigação à Criminalidade Automóvel (SRICA) identificaram 637 suspeitos que levaram à identificação de grupos de autores responsáveis por estes furtos.

Das várias ocorrências e operações levadas a cabo por esta entidade, foram apreendidos mais de 91 mil euros em numerário, aponta a PSP.

Os conselhos das autoridades no combate ao crime (e um lembrete importante)

1. Se já foi alvo ou teve conhecimento deste crime ou tentativa do mesmo, formalize a queixa;

2. Estacione a sua viatura numa garagem fechada e, nessa impossibilidade, numa área iluminada e movimentada;

3. Atenção a como estaciona o carro. Evite estacionar a viatura parcialmente no passeio e na estrada. Esta pequena ação pode tornar o furto do catalisador mais fácil;

4. Se detetar alguém debaixo de um veículo, mesmo que pareça uma operação de reparação, chame a polícia e tente obter o máximo de informações possíveis.

As autoridades apelam ainda a que os cidadãos não recorram ao mercado paralelo para adquirir catalisadores furtados: "Já não disporão dos componentes essenciais, impossibilitando que executem corretamente a função e levarão, necessariamente, a que o veículo não seja aprovado na Inspeção Periódica Obrigatória (IPO)".

Estarão a roubar um catalisador? Atenção aos sinais

- Se estiver uma viatura levantada no local de estacionamento, seja através do uso de um macaco ou outro dispositivo;

- Se ouvir o som de uma máquina de perfuração ou corte;

- Se estiver uma pessoa deitada debaixo de um veículo.

Três grandes operações a destacar

A PSP destaca três das operações que foram levadas a cabo desde o verão do ano passado.

A primeira em destaque ocorreu a 30 de junho de 2021 e culminou com cinco detidos; duas prisões preventivas; cinco buscas domiciliárias, três a viaturas e duas em sucateiras. Nessa operação, foram apreendidos 507 catalisadores, 725 doses de cocaína, 100 doses de heroína, 74 mil euros e ainda a apreensão de cinco veículos e uma pistola.

Avaliados em mais de 100 mil euros, foram apreendidos 805 quilos de componentes de catalisadores já devidamente processados.

A segunda decorreu durante o dia 22 de março de 2022, acabando com 20 pessoas detidas, 11 prisões domiciliárias, várias buscas e a apreensão de quatro catalisadores, oito viaturas e oito mil euros.

A estes juntou-se a apreensão de equipamentos utilizados nos furtos: nove macacos, duas rebarbadoras, discos de corte, folhas de serra elétrica, baterias e carregadores de baterias, bem como diversas ferramentas e três armas.

A última grande operação aconteceu a 2 de maio e culminou com a detenção de 15 pessoas, nove delas ficaram em prisão preventiva. Foram recuperadas 11 viaturas e 17 mil euros em numerário.

Neste dia, foram apreendidas vinte toneladas de catalisadores e ainda seis quilos em diversos objetos convertidos em 200 mil euros de ouro e um revólver.

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