Estas fotografias impressionantes revelam uma nova perspectiva dos antigos castelos europeus (e um deles é português)

CNN , Allyssia Alleyne, artigo publicado originalmente em Fevereiro
15 ago, 16:00

"Stone Age" é o segundo livro de Frédéric Chaubin, que fotografou mais de 200 castelos, construídos entre os séculos X e XV

Durante séculos, os castelos medievais mantiveram um lugar especial na imaginação ocidental. Evocavam, ao mesmo tempo, um senso de história, fantasia, guerra e romance. São cenários recorrentes para obras de época e livros infantis, folhetos de viagens e revistas de moda.

Mas, no seu último livro, "Stone Age: Ancient Castles of Europe", o escritor e fotógrafo Frédéric Chaubin propôs-se a desfazer os estereótipos conhecidos. Para tal, usou a prosa e a fotografia para fazer a ligação do medieval ao modernismo.

"Em vez de considerar os castelos apenas como vestígios históricos, eu estava muito mais interessado em construir um elo entre essa arquitetura muito primitiva e os fundamentos e princípios do modernismo. Estas teorias foram criadas no início do século XX, através das obras de Adolf Loos ou de Le Corbusier", explicou o fotógrafo numa entrevista telefónica. Chaubin fez referência aos teóricos e arquitetos influentes que fizeram pressão contra o uso da ornamentação e que gostavam dos formatos modernos."O princípio de que a forma segue a função é notória nesta arquitetura muito rudimentar.”

No século X, quando os castelos surgiram pela primeira vez como uma alternativa às estruturas de madeira, estes foram pensados para servir como habitações fortificadas para a classe dominante. A proteção era mais importante do que a decoração. Por essa razão, as torres das fortificações eram bastante altas para proteger os habitantes de ameaças externas, o fosso era uma forma de defesa e não um recurso para a água e as estruturas foram adaptadas para se adequarem às regras da guerra ou às necessidades domésticas dos moradores.

"Stone Age" é o segundo livro do fotógrafo, após o lançamento, em 2011, do livro "CCCP: Cosmic Communist Constructions Photographed". Este elegante livro apresentou o resultado de sete anos a fotografar e das pesquisas sobre a arquitetura da União Soviética. No entanto, para o seu novo livro, Chaubin muniu-se de uma máquina fotográfica tradicional e viajou para o Reino Unido, França, Espanha, Alemanha e países Bálticos. Nesses países, ele fotografou mais de 200 castelos, construídos entre os séculos X e XV.

Quando fez a seleção final das fotografias, Chaubin quis destacar a imponência da localização de um castelo e a sua simplicidade arquitetónica, em vez de dar prioridade ao seu significado histórico. No entanto, nunca esqueceu o tema principal. Ele disse: "É sobre o contexto e não tanto sobre os próprios castelos. Os mais interessantes são os que se encontram isolados. Nós ficamos com a sensação de que os descobrimos.”

Um papel em evolução

Por norma, Chaubin fotografava os castelos à medida que se aproximava destes. Assim, captava a sua grandiosidade quando eles lhe surgiam pela primeira vez. Por exemplo, o Castelo de Grimburg, na Alemanha, aparece como uma silhueta escura num terreno coberto de geada, ao passo que um lago calmo separa o fotógrafo do Castelo Stalker, na Escócia. Chaubin esperava transmitir "os momentos específicos de quando vê o castelo pela primeira vez".

O fotógrafo explicou: "Muitas vezes, eu fotografo os castelos ao longe. Geralmente, descobrimo-los à distância. Estou a convidar as pessoas a viajarem comigo.”

Ele ficou particularmente deslumbrado com as ruínas em arenito do Castelo de Quéribus, no sul da França, ou com o Castelo de Aunqueospese em Ávila, Espanha. Este último foi construído a partir do granito local. Este tipo de castelos transmite uma ligação natural com o espaço circundante e "parece que saem do chão", tal como diz Chaubin.

O livro encontra-se dividido por capítulos temáticos. Estes abordam as origens e a evolução dos castelos, o contexto geopolítico do seu desenvolvimento e, por último, o seu abandono. Chaubin destacou as semelhanças nas formas e nos materiais usados. No entanto, organizar estas fortificações, de forma cronológica, revelou-se um verdadeiro desafio.

O fotógrafo disse: "É extremamente difícil associá-las a um período específico. A construção dos castelos medievais europeus que eu fotografei começou por volta do século X. No entanto, eles sofreram diversas transformações ao longo dos séculos.” Os castelos do século XIII que Chaubin fotografou no País de Gales, por exemplo, foram modificados ao longo do tempo. Isto deveu-se à evolução do armamento e das estratégias de guerra. Na Península Ibérica, os castelos mouros foram radicalmente redesenhados pelos católicos que os conquistaram. Com o aproximar da época do Renascimento e porque deixou de haver ameaças iminentes de invasões, introduziram-se elementos decorativos e as janelas grandes serviam para fazer a transição do castelo para um palácio.

"A partir do século XV, não havia uma razão para os castelos serem uma estrutura defensiva. Então, estes foram transformados em mansões, palácios ou deixaram-nos degradar-se", explicou Chaubin.

Dividir os castelos por localização parecia igualmente inútil, uma vez que as fronteiras europeias estavam em constante fusão durante os séculos retratados no livro. A abundância das invasões explica o caminho dos castelos normandos da época das Cruzadas entre a Inglaterra moderna e o Médio Oriente. A união entre as monarquias também significava que os estilos arquitetónicos eram amplamente exportados e adaptados, de forma a incorporar as arquiteturas locais.

Mas, em última instância, essa falta de coerência visual foi um motivo de fascínio e não uma deceção para Chaubin.

"Fiquei muito mais impressionado com a variedade de diferenças do que com as semelhanças", disse ele. "A tipologia muito grande desses castelos fez com que fosse mais difícil lidar com esse tema. Contudo, tornou-o, ao mesmo tempo, muito mais interessante.”

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