Greve voltou a adiar audição no caso BES, daí a passagem tão curta do ex-primeiro-ministro pelo edifício em Lisboa
A audição de Pedro Passos Coelho no julgamento do principal processo do caso BES foi novamente adiada por causa da greve dos funcionários judiciais convocada pelo Sindicato dos Oficiais de Justiça. O antigo primeiro-ministro entrou e saiu do Campus de Justiça num espaço de cinco minutos.
À chegada aos jornalistas, Passos Coelho referiu que iria “responder a todas as perguntas colocadas pelo tribunal”, mas salientou que a sua intervenção no caso está “razoavelmente esclarecida”. “Terei toda o gosto em responder a algo que não esteja”.
Foi ainda questionado sobre o tema das presidenciais, referindo desde logo que esta “fora da política”. “Estou bem onde estou”. Também não comentou o resultado das últimas sondagens. “Isso terá de perguntar a essas empresas”, disse.
A greve ocorre durante a parte da manhã, não se sabendo até ao momento se as audições marcadas para a tarde também serão canceladas.
Pedro Passos Coelho era chefe de governo à data da resolução do BES, no verão de 2014, e a sua inquirição tinha chegado a ser agendada para 30 de outubro de 2024.
O processo conta atualmente com 18 arguidos, incluindo o ex-presidente do banco, Ricardo Salgado, de 80 anos e diagnosticado com a doença de Alzheimer.
Ricardo Salgado responde por cerca de 60 crimes, incluindo um de associação criminosa e vários de corrupção ativa no setor privado e de burla qualificada.
O Ministério Público estima que os atos alegadamente praticados entre 2009 e 2014 pelos 18 arguidos, ex-quadros do BES e de outras entidades da esfera do GES, tenham causado prejuízos de 11,8 mil milhões de euros.
