Pedras preciosas coloridas e diamantes “imperfeitos”: os anéis de noivado fora do vulgar estão na moda

CNN , Jacqui Palumbo
22 jan, 08:00
A Point No Point apresenta anéis com desenhos intricados e inspirados em antiguidades. Foto: Devin Stein/Cortesia de Point No Point Studio

Os diamantes brancos ainda são os preferidos dos noivos, mas durante a última década, tradições ligadas aos anéis de noivado começaram a ser mais flexíveis, incluindo safiras, rubis e pérolas

Quando pensa em anéis de noivado, o que imagina? Talvez uma pedra solitária ou uma auréola de pedras preciosas mais pequenas à volta de uma joia central.

Independentemente do estilo, provavelmente está a imaginar diamantes brancos, que têm sido o símbolo dominante do compromisso conjugal há mais de um século. Mas durante a última década, as tradições ligadas aos anéis de noivado começaram a ser mais flexíveis, à medida que as pedras preciosas coloridas e os desenhos únicos se tornam predominantes nos meios de comunicação social e nos dedos das celebridades.

Hoje em dia, muitos designers de joias oferecem anéis de noivado com safiras, rubis e pérolas, assim como diamantes "imperfeitos", que podem ser em bruto, salpicados com tons de cinza ou coloridos, com tonalidades como castanho ou rosa, para casais que procuram um anel idiossincrático ou mais acessível.

A joalharia Catbird, em Nova Iorque, vende diamantes negros, esmeraldas, safiras cor-de-rosa e azuis e pérolas entre os seus anéis de noivado. Foto: Cortesia de Catbird

"Penso que há uma grande mudança de atitude no que toca aos anéis de noivado", disse Leigh Batnick Plessner, diretor criativo da joalharia Catbird, em Nova Iorque, numa entrevista telefónica. "Deve ser algo que o faça feliz e não tem de seguir regras ou tradições".

No entanto, os diamantes ainda predominam, de acordo com um inquérito recente da editora de casamentos The Knot, onde 86% dos 5000 inquiridos nos EUA os preferem como pedra central dos anéis de noivado e a imitação de diamante, moissanite, é a segunda opção mais popular.

Há muito que os diamantes representam "força e união", pois eram considerados as pedras mais duras do mundo, disse Marion Fasel, que edita e escreve sobre joalharia. Entraram na moda pela primeira vez entre a realeza, popularizados na Inglaterra do século XVIII pela esposa de George III, a rainha Charlotte, explicou Fasel.

Mas os diamantes só se começaram a tornar, culturalmente, um sinónimo de casamento, depois de a Tiffany & Co. ter introduzido o anel de noivado moderno, com o seu agora icónico formato de solitário de seis pontas, em 1886. Depois, no meio do aumento dos casamentos após a Segunda Guerra Mundial, uma redatora de Filadélfia, Frances Gerety, criou o “slogan publicitário do século" para o gigante da indústria mineira De Beers: " A Diamond is Forever" (Um Diamante é para Sempre).

Os diamantes pretos e brancos desafiam os 4C e abraçam imperfeições com manchas e tons cinzentos. Foto: Devin Stein/Cortesia de Point No Point Studio

Desde os anos 40, o valor dos diamantes tem sido medido através dos "4C": corte, cor, clareza e peso quilate, que foram padronizados pelo Instituto Gemológico da América (GIA) e fortemente promovidos pela De Beers.

"Quando não é branco, é considerado uma imperfeição", disse a designer de joias Julie Stark, ao telefone. O seu estúdio, Point No Point, com sede nos arreadores de Seattle, é especializado em anéis de diamantes pretos e "pretos e brancos" ou anéis de diamantes com manchas cinzentas. "(Nem mesmo) os diamantes champanhe não eram considerados muito valiosos porque tinham coloração", disse ela, usando um nome frequentemente dado às pedras castanhas-amareladas claras.

Já houve alguns anéis de noivado de famosos com pedras preciosas coloridas. A Princesa Diana usou uma famosa auréola de safiras azuis de 12 quilates com diamantes e Jennifer Lopez recebeu um diamante rosa de 6,1 quilates de Ben Affleck, em 2002. Mas, enquanto os anéis de noivado das celebridades aumentavam em tamanho e preço, na sua maioria, mantinham-se tradicionais na cor.

Isto mudou nos últimos anos, com Emma Stone e Ariana Grande a usarem anéis que incluem pérolas, Elizabeth Olsen com uma esmeralda, a princesa britânica Eugenie com uma safira de 20 quilates rosa-alaranjada e Katy Perry a exibir um design com um rubi.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Os diamantes castanhos também tiveram um momento de fama nos últimos dois anos, da joia castanha-rosada de Kate Hudson, conjugada com ouro rosa, à pedra preciosa em forma de ovo de 11 quilates de Scarlett Johansson, numa banda cerâmica que se crê ter sido desenhada por Taffin.

"Há dez anos, as pedras (castanhas) não seriam consideradas para um anel de noivado como aquele", disse Fasel, que pensa que as escolhas das celebridades influenciam o mercado de consumo. "Quando pessoas com grande influência fazem escolhas únicas, isso dá coragem às mulheres para fazerem algo um pouco diferente do design tradicional".

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Dar realce ao único

Por volta de 2008, antes da Catbird se começar a concentrar em joias delicadas, o diretor criativo Batnick Plessner e o fundador Rony Vardi notaram que um dos seus anéis, uma pequena safira branca, colocada numa banda em forma de ramo de salgueiro, estava a tornar-se uma escolha cada vez mais popular para os anéis de noivado. Embora o preço fosse ligeiramente acima dos 100$, tornou-se o ponto de partida para a loja mudar o seu foco, incluindo a construção de um estúdio de joias com 63 pessoas. A Catbird agora vende anéis de noivado de vários designers de joias, assim com os seus próprios anéis, por preços até 15 000$ e muitos deles são não tradicionais.

Além de pedras não convencionais, os clientes de Batnick Plessner também expressaram um interesse crescente em formatos alternativos, que não fossem "apenas um solitário tradicional", disse ela, acrescentando que a seleção da marca não é “demasiado nupcial”.

Os estilos delicados, românticos e coloridos de Jennie Kwon que contêm safiras verdes, safiras azuis e rubis. Foto: Cortesia de Jennie Kwon

Hoje em dia, as ofertas da Catbird incluem um trio romântico de safiras cor-de-rosa pálido (assim como uma versão em azul), da designer Jennie Kwon, um conjunto régio de seis diamantes pretos e brancos da Digby & Iona e um diamante preto solitário minimalista da sua própria linha.

Dentro da mesma linha de pensamento, a Point No Point oferece anéis únicos, optando por desenhos intricados e inspirados em antiguidades, que realçam os tons pontilhados dos diamantes pretos e brancos ou a opacidade do branco-prateado. "Tal como uma impressão digital ou um floco de neve, todos eles têm o seu próprio tipo de marcas e translucidez", explicou Stark. “Conseguimos apreciar a beleza de algo que não é perfeito”.

“A natureza pode criar algo que é perfeito por si só", disse a designer Ruth Tomlinson sobre diamantes em bruto. Foto: Cortesia de Ruth Tomlinson

Ruth Tomlinson, designer de joias de Londres, também foi influenciada pelas formas orgânicas da natureza, produzindo peças que ecoam a delicada geometria dos corais ou explosões de geodes. Tomlinson trabalha frequentemente com safiras de cor pastel, em rosa ou verde, porque favorece a durabilidade das joias. Mas a sua primeira linha de joias finas realçava as texturas naturais e rugosas dos diamantes em bruto, que ela acredita que dão uma estética subestimada, que enfatiza a beleza inerente da joia.

“A natureza pode criar algo que é perfeito por si só”, disse Tomlinson. "Criei uma gama onde parecia que o metal tinha crescido à volta das pedras, como se tudo tivesse sido desenterrado junto".

Mudanças na indústria

À medida que os gostos por pedras preciosas se expandem, os joalheiros e consumidores tornaram-se também mais conscientes sobre os impactos ambientais e sociais dos seus anéis de noivado. O aparecimento de diamantes sintéticos produzidos em laboratório e livres de conflitos mudou a indústria e muitos joalheiros, incluindo todos os entrevistados, enfatizam a sustentabilidade e trabalham principalmente com ouro reciclado.

"É uma prioridade dos nossos clientes conhecer a proveniência dos materiais com que trabalhamos", disse Batnick Plessner.

Os designs de Tomlinson são inspirados em formas e texturas orgânicas. Foto: Cortesia de Ruth Tomlinson

Os casais também têm mais opções do que nunca e podem facilmente procurar designers independentes em qualquer parte do mundo, através das redes sociais e sites de comércio eletrónico. De igual modo, os estúdios independentes também têm mais meios para chegar a uma base de clientes mais vasta. A atriz Zoë Kravitz, por exemplo, encontrou o seu anel de noivado antigo através do Instagram, há alguns anos, disse Fasel.

"(O impacto das redes sociais) é enorme porque as pessoas podem ver os anéis mais de perto ", disse ela. “Podem procurar anéis de forma diferente”.

Um anel de pedra da lua por Jennie Kwon, à venda através da Catbird. Leigh Batnick Plessner, da Catbird, diz que os anéis de noivado não têm de seguir tradições. Foto: Cortesia de Jennie Kwon

Embora os anéis não tradicionais tenham entrado no mercado, é pouco provável que os diamantes sejam destronados em breve. Estes continuam fortemente associados ao amor e o mais recente relatório anual da Bain sobre a indústria dos diamantes revelou que 60% a 70% dos inquiridos nos EUA, China e Índia acreditam que os diamantes são "uma parte essencial de um noivado".

Mas Fasel observou que as pedras preciosas entram e saem de moda de acordo com a sua disponibilidade, com a descoberta de minas de diamantes no Brasil e na África do Sul, no início do século XVIII e no final do século XIX, respetivamente, moldando até hoje as nossas escolhas em anéis.

Em meados dos anos 2000, a indústria dos diamantes começou a alertar que o mundo estava a ficar sem diamantes, de acordo com a Bloomberg. Embora isto ainda não tenha acontecido, a oferta mundial atingiu o seu pico em 2006, com 176 milhões de quilates extraídos, de acordo com os dados recolhidos para o Processo de Kimberley, um esquema de certificação estabelecido para travar o comércio de diamantes de conflito. No ano passado, no meio da pandemia, o fornecimento global desceu para 108 quilates extraídos.

O aumento dos diamantes produzidos em laboratório está a complicar ainda mais o mercado, oferecendo preços mais acessíveis para pedras preciosas que são quimicamente idênticas. A The Knot relatou que, em 2021, quase um em cada quatro casais do seu inquérito tinha optado por uma pedra central artificial, o que representa um aumento de 11% em dois anos.

Ainda assim, Fasel acredita que os gostos contemporâneos estão a tornar-se mais aventureiros e a indústria da joalharia tem correspondido de forma positiva.

"Estamos a viver num glorioso período renascentista de anéis de noivado, não há dúvida disso", disse ela.

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