Discussões de casal por causa de dinheiro? Estes especialistas deixam alguns conselhos

CNN , Jeanne Sahadi
22 fev, 19:00
Casal e dinheiro. (Imagem: Frederic Cirou/PhotoAlto/Getty Images)

As discussões sobre dinheiro são das mais comuns entre casais, e quase nunca são só sobre euros. Especialistas recomendam escolher o momento certo, perceber o que está por trás do conflito e negociar objetivos financeiros partilhados

O dinheiro é um tema delicado para a maioria dos casais.

E não admira.

“Temos, muitas vezes, livros de regras sobre dinheiro. E ficamos irritados quando a outra pessoa não joga com o mesmo plano”, diz Thomas Faupl, terapeuta familiar e conjugal licenciado, especializado em terapia financeira.

Além disso, os comportamentos financeiros de cada um são influenciados pelas experiências com dinheiro na infância.

Mas é possível desarmar estes desacordos para que não sejam eternamente difíceis, ou fatais, para a relação.

Como?

Comece por reconhecer que as discussões sobre dinheiro costumam ser sobre algo maior. Depois, explore o que está por trás do conflito, para que cada um consiga ouvir melhor de onde vem o outro.

Este é apenas um dos conselhos que Heather e Douglas Boneparth, advogada e consultor financeiro certificado, respetivamente, partilham no novo livro “Money Together: How to Find Fairness in Your Relationship and Become an Unstoppable Financial Team” (Dinheiro em conjunto: como encontrar equidade no seu relacionamento e tornar-se uma equipa financeira imbatível). 

O casal, ambos com 40 anos e hoje pais de crianças pequenas, analisa os seus próprios problemas relacionados com dinheiro e os de outros casais que entrevistaram, para perceber como conduzir melhor conversas financeiras.

Os confrontos mais comuns

Os detalhes das discussões variam de casal para casal. Mas Thomas Faupl diz que os conflitos mais frequentes giram em torno de:

Poupar e gastar: um dos parceiros pode precisar de muito mais para se sentir financeiramente seguro, enquanto o outro pode dar prioridade a viver o presente.

“As duas perspetivas estão certas”, diz Thomas Faupl.

A questão é se cada um consegue valorizar o ponto de vista do outro e encontrar um meio-termo que funcione para ambos.

Níveis elevados de dívida: quer a dívida seja acumulada em conjunto, quer por um dos parceiros, é terreno fértil para discussões sobre como geri-la e durante quanto tempo a tolerar, disse.

Um casal com filhos, por exemplo, tem de tomar decisões constantes com base nessa dívida: fazemos férias em família? Mudamo-nos para uma casa maior? Onde cortamos? Quem abdica do quê?

Desigualdades de riqueza: um dos cônjuges pode vir de uma família com dinheiro, ou tê-lo acumulado ao longo da carreira, enquanto o outro não. Ou pode existir uma grande diferença salarial, o que gera conversas desconfortáveis sobre divisão de tarefas e sobre quem tem mais peso nas decisões financeiras.

Mude a forma como vê os desacordos

Quando estiver prestes a discutir por dinheiro, Thomas Faupl sugere que faça estas perguntas antes de “explodir”:

Heather e Douglas Boneparth, autores de "Money Together", incentivam os cônjuges a compreenderem as suas próprias histórias e as dos seus parceiros em relação ao dinheiro. (Imagem: Sylvie Rosokoff)

Pergunta 1: isto tem de ser resolvido agora? Ou podemos marcar uma altura melhor para falar disto de forma construtiva?

“Tempo, lugar e ambiente importam. Os casais discutem mais quando escolhem o momento errado”, diz Heather Boneparth. “Nós costumávamos discutir sobre dinheiro às 17:30, quando os bebés atiravam comida pela sala".

Pergunta 2: aquilo sobre o que estamos a discutir é mesmo o problema?

Douglas Boneparth recorda um casal que entrevistaram em que a mulher teve um ataque depois de o marido comprar um croissant extra numa 7-Eleven. Afinal, o croissant era inocente. O problema era que ela sentia que o marido não estava a cumprir um acordo, feito anos antes, para dividir despesas a meias. A explosão mostrou-lhes que o arranjo antigo já não funcionava para nenhum dos dois.

Perceber o contexto também ajuda: por que razão ela reagiu assim naquele momento? Aconteceu quando temia perder o emprego.

Pergunta 3: o que é que estamos a fazer bem?

Entrar numa conversa difícil com críticas ao parceiro, ou ao casal, não é boa estratégia.

“Não comece pelo que está mal ou pelo que está partido”, diz Douglas Boneparth.

Em vez disso, sugere começar pelo que o parceiro, e ambos em conjunto, têm feito bem. “Vai ser muito mais fácil manterem-se envolvidos.”

Chegar a um compromisso

Mesmo que tenham abordagens diferentes ao dinheiro, vão ter de tomar decisões financeiras em conjunto, e com as quais ambos consigam viver. Para lá chegarem, mantenham o foco no objetivo comum.

No investimento, por exemplo, se um é avesso ao risco e o outro não, pensem nos objetivos partilhados.

Talvez concordem que querem reformar-se aos 60. O desafio é perceber, com base na vossa situação atual, o que é preciso para atingir essa meta.

Há muitas formas de lá chegar. E a solução pode não ser tão extrema como parece: “Pode ser incremental, talvez não tanto como um parceiro quer, mas mais do que o outro alguma vez faria”, diz Heather Boneparth.

Por fim, lembra: embora o desconhecido assuste e a tolerância ao risco seja individual, “a nossa capacidade para assumir risco é conjunta, porque estamos juntos”.

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