Reconstituição da viagem do casal mostra o trajeto que percorreram desde que saíram de casa, na terça-feira da semana passada
Foi encontrado o carro de Venâncio e Maria de Fátima, o casal de idosos de Montemor-o-Velho que estava desaparecido desde terça-feira da semana passada. O carro foi detetado por populares num campo alagado, pelas 7:30, próximo da Quinta do Seminário, em Coimbra, a 1,5 quilómetros do local onde foi visto pela última vez.
A viatura foi encontrada precisamente nos campos de arroz entre Porto Godinho (Soure) e Porto Godinho Além (Figueira da Foz), com os dois corpos no interior.
O carro tinha sido captado por uma câmara de videovigilância na madrugada de dia 11 de fevereiro, quarta-feira, em Vinha da Rainha, no percurso entre Coimbra e Verride, eram 1:40. Foram estas imagens que permitiram às autoridades definir o perímetro das buscas.
A escuridão escondia a matrícula mas permite ver um carro em tudo semelhante ao do casal. Estas imagens ajudaram a GNR a delimitar o perímetro das buscas, mas também acentuaram a preocupação. É que no dia do desaparecimento essa estrada terminava num arrozal que estava completamente alagado. A falta de sinal de telemóvel desde essa madrugada levava as autoridades a temer o pior.
Venâncio e Fátima, de 68 e 65 anos, saíram da sua casa, na aldeia de Verride, no concelho de Montemor-o-Velho, para ir ao médico em Coimbra na manhã do dia 10, terça-feira. Os amigos avisaram-nos que não seria boa ideia - a região foi uma das mais afetadas pelas cheias provocadas pelas tempestades das últimas semanas e havia muitas estradas interditadas. Houve até quem lhes sugerisse requisitar uma ambulância dos bombeiros. Mas Venâncio insistiu em conduzir.
Nessa manhã, pararam na Abrunheira para ir à farmácia e ao supermercado, e depois seguiram para Coimbra. Fátima sofre de leucemia e ia fazer um hemograma e um exame bioquímico. Após a consulta, ficaram por Coimbra. Jantaram no restaurante de uma amiga e pelas 23:50 entraram no seu Citroen Saxo de cor verde para regressar a casa. O percurso deveria demorar cerca de 40 minutos.
Desde então, nunca mais foram vistos. "Não se sabe o que terá acontecido, apenas se sabe que não chegaram a casa", comentou um dos amigos.
Nos dias seguintes, a filha, que mora em Lisboa, tentou contactá-los por telefone. Mas não foi possível. Pediu ajuda aos vizinhos, que foram lá bater à porta. Ninguém atendeu. Laura deslocou-se então a Verride e na quinta-feira informou a GNR do desaparecimento dos pais. Colocou também nas redes sociais um apelo, com uma fotografia de Venâncio e Fátima, à procura de quem tivesse alguma informação sobre os pais.
As buscas começaram na sexta-feira. Os trabalhos têm sido dificultados pela existência de muita água nas estradas, mas a GNR e os bombeiros têm estado todos os dias na região e têm usado drones para tentar encontrar alguma pista.
Verride é uma aldeia mais elevada e que não foi tão afetada pelas cheias. Mas os conhecidos temem que o casal, já de uma certa idade e com alguns problemas de saúde, se tenha desorientado e tenha entrado por uma zona inundada. Venâncio tem problemas psiquiátricos, é medicado e acompanhado no hospital da Figueira da Foz. "De noite é muito fácil uma pessoa enganar-se na estrada. Não aparecer o carro, já por si, é um pouco estranho", comentava um dos vizinhos no fim de semana.
O último sinal de telemóvel detetado foi em Vila da Rainha, que fica a cerca de 20 quilómetros de Verride, no percurso que Venâncio e Fátima terão feito no regresso de Coimbra.