Casa Pia-V. Guimarães, 0-0 (crónica)

28 dez 2025, 17:39
Casa Pia-V. Guimarães (FOTO: Carlos Barroso/LUSA)

Não há brinde para ninguém

Convenhamos: não é comum haver um clube que, a 28 de dezembro, 16 jornadas volvidas, ainda não tenha vencido em casa. É um sinal evidente e comprovado de que algo não está bem.

Essa equipa é o Casa Pia, clube que ainda na época passada andava por aí a fazer um brilharete, até a sonhar com uma eventual presença nas competições europeias.

Hoje, depois de ter perdido nomes importantes, a realidade é outra. A luta passa pela manutenção. E o futebol praticado… deixa a desejar.

Mas convenhamos que também não é normal haver uma outra equipa, que nos foi habituando a prestações consistentes, à luta pelos lugares cimeiros, somar o terceiro jogo consecutivo sem ganhar. E o quarto fora de casa.

Essa outra equipa é o Vitória de Guimarães que foi hoje a Rio Maior, casa emprestada do Casa Pia, empatar a zeros. E não deu sequer uma ligeira alegria, muito merecida, às centenas de adeptos que se fizeram ouvir durante todo o jogo.

Os vimaranenses, na ressaca da derrota frente ao Sporting, entraram muito melhor do que o Casa Pia. Os primeiros 20 minutos foram mesmo de domínio absoluto, ainda que sem grandes ocasiões de perigo.

A maior terá sido aos 17m quando Gonçalo Nogueira rematou à entrada da área, mas a bola saiu um pouco por cima.

Às custas – e às costas – dos dois melhores jogadores (Livolant e Larrazabal), o Casa Pia conseguiu equilibrar o jogo. Teve mais bola, apareceu ligeiramente mais no ataque e até dispôs da grande chance da primeira parte – Livolant, aos 43 minutos, ficou a centímetros de bater Castillo.

Daí que a segunda parte poderia dar para qualquer lado: acabaria por ser o Casa Pia a entrar melhor, pese embora tenha sido o Guimarães quem mexeu na equipa ao intervalo.

A equipa da casa poderia ter marcado por José Fonte, aos 57 minutos, que saltou mais alto do que os defesas adversários para obrigar o guarda-redes do Vitória a uma defesa apertada.

Com várias substituições de parte a parte, a partida entrou numa fase mais anárquica: ora atacava o Casa Pia; ora atacava o Guimarães.

A melhoria dos gansos, face ao primeiro tempo, era evidente, mas, com o passar dos minutos, surgiu, de parte a parte, aquele medo tão comum: ganhar era muito bom, mas não perder era o mais importante.

No final, ninguém brindou. E ambos - Vitória e Casa Pia - de certeza que, quando soarem as 12 badaladas, vão desejar um 2026 um bocadinho melhor.

 

A FIGURA: Saviolo

Não foi fácil, de todo, escolher a figura de um jogo em que ninguém jogou particularmente bem. Saviolo acaba por ser o “felizardo” por ter tentado desequilibrar, no ataque do Vitória de Guimarães, ainda que sem um sucesso evidente. Foi dele o cruzamento para uma boa chance de Ndoye que, em boa posição, cabeceou muito mal, já a meio da segunda parte.

 

O MOMENTO:  José Fonte, vezes dois  

Por duas vezes, José Fonte teve, na sua cabeça, a hipótese de o Casa Pia ganhar o encontro. Aconteceu ao minuto 57, mas a boa defesa de Castillo impediu-o e já no período de descontos. Num jogo com escassas chances, essas foram duas das principais.

 

 

NEGATIVO:

O espetáculo com que Casa Pia e Vitória de Guimarães nos brindaram hoje não ficará na memória de ninguém. A boa entrada em jogo dos vimaranenses ainda prometeu, a reação do Casa Pia também, mas a escassez de boas chances é sintomática do que foi este jogo. Pede-se mais.

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