Taça de Portugal: Alpendorada-Casa Pia, 0-3 (crónica)
Pragmatismo casapiano vale a passagem na Prova Rainha
A festa da Taça regressou este sábado a Alpendorada, onde a equipa que milita no Campeonato de Portugal – e que nunca esteve nos campeonatos profissionais – registou uma exibição de primeira, ainda que não tenha conseguido a vitória. O pragmatismo do Casa Pia valeu aos “Gansos” a passagem na prova (3-0), que se explica essencialmente pela resiliência defensiva e pela extrema eficácia ofensiva.
Recorde a história deste jogo.
Exibição de primeira, mas não do Casa Pia
Viveu-se intensamente a festa da Taça no Municipal de Alpendorada, com forte apoio de milhares de adeptos, que lançaram os anfitriões para o controlo. Dentro das quatro linhas, o Alpendorada entrou dominante, sem receio de pressionar alto. Ainda assim, sem sucesso para chegar à baliza de Ricardo Batista.
Foi preciso aguardar pelo minuto 30 para registar a primeira oportunidade, quando André Geraldes, ala-direito do Casa Pia, surgiu sozinho pela faixa direita e rematou cruzado, tirando tinta ao poste direito. Quatro minutos depois, Miguel Sousa conduziu pelo meio e serviu Severina, que, no um para um, atirou para uma grande defesa de Ricardo Morais.
Na resposta, o Alpendorada acertou no poste esquerdo, quando Jucélio cabeceou após cruzamento de Fábio. A bola sobrou para Pauleta, mas um corte “in extremis” tirou-lhe o golo. Estavam decorridos 42 minutos.
Em cima dos 45m surgiu o golo forasteiro. Renato Nhaga tocou para Abdu Conté, sozinho a romper pela faixa esquerda e que não vacilou na cara do guardião.
Pedreiros lutaram, mas pragmatismo venceu
Mais Alpendorada, com o mesmo coração, e o Casa Pia a manter as dificuldades em libertar-se. Ainda assim, os visitantes intercetavam os passes que procuravam o caminho do empate. Em simultâneo, os “Gansos” foram aproveitando para queimar tempo.
Em praticamente toda a segunda parte, só deu Alpendorada: os comandados de Nuno Pereira instalaram-se no meio-campo adversário, mobilizando vários homens, e tentaram de tudo em prol do empate. Somaram oportunidades, das quais se destaca o cabeceamento, à hora de jogo, que passou tão perto da linha de golo que alguns adeptos gritaram golo.
Na reta final, o Casa Pia dilatou a vantagem, de novo em contracorrente. O canto cobrado pela direita foi desviado por José Fonte no centro da área, sobrando para o segundo poste, onde Seba Peréz capitalizou e fez o 2-0. Estavam decorridos 81 minutos.
Para lá do minuto 90, Livolant aproveitou um pontapé livre na meia-lua da área adversária para aplicar o 3-0. O remate passou na barreira e escapou ao guardião Ricardo Morais. O Alpendorada caiu de pé.
A Figura: Renato Nhaga
O jovem médio guineense atravessa um bom momento. Depois de marcar na visita ao Benfica (2-2), deu nova prova de talento. Pela faixa esquerda ou mais por dentro, foi o elemento mais ativo e com eficácia nas ações ofensivas.
O Momento: lesão de Zuzárte, minuto 73
O defesa deu, literalmente, o corpo às balas. O central esteve vários minutos a sangrar do nariz, mas não pediu para o jogo ser interrompido. Com a boca ensanguentada, manteve-se em jogo.
Positivo: vontade e proatividade do Alpendorada
Caíram, mas caíram de pé. A equipa do Alpendorada deu tudo por tudo e merecia levar algo mais deste jogo. Nota também para os adeptos, que se fizeram ouvir até ao 0-2.
