João Pereira lembra «problema cardíaco grave»: «Mudou a minha visão do mundo»

3 mar 2025, 20:37
João Pereira no Gil Vicente-Casa Pia (MANUEL FERNANDO ARAÚJO/Lusa)
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Treinador do Casa Pia recordou que viveu meses sem saber o que lhe ia acontecer e a partir daí percebeu que o futebol é só isso, futebol: antes do treinador, vem a pessoa

João Pereira, treinador do Casa Pia, está em destaque no The Coachs Voice, tendo escrito um texto sobre o que significa para ele, aos 32 anos, estar a orientar um dos destaques da Liga Portuguesa.

O técnico diz que não pensa muito nisso, nem se preocupa se vai ou não ter sucesso como treinador. Prefere viver o dia a dia, e usufruir do que esse dia a dia lhe traz.

«Esta perspetiva, digamos, mais cautelosa, intensificou-se durante a pandemia. Estava na seleção de Moçambique, como treinador adjunto do Luís Gonçalves, quando contraí Covid e desenvolvi um problema cardíaco grave. De repente, deixei de poder trabalhar. Aqueles meses, sem saber o que me ia acontecer, mudaram a minha visão do mundo. Apercebi-me de que o trabalho era a mais importante das coisas menos importantes da vida», escreveu.

«Não me interpretem mal, sou apaixonada pelo que faço. Desde muito jovem que descobri em mim o desejo de ser treinador. E quando se ama o que se faz, a dedicação extrema surge naturalmente. Mas antes do trabalho vem a saúde. Antes do treinador, há a pessoa.»

Por isso, João Pereira diz que se preocupa sobretudo com a pessoa. A vida ensinou-lhe que é a coisa certa a fazer.

«O futebol de alto rendimento é muito competitivo. É preciso comer bem, descansar bem e rodearmo-nos de pessoas que nos ajudem a evoluir como profissionais. Todos os pormenores contam na competição feroz que é o futebol de elite. Mas também é preciso saber desligar de vez em quando. Como se costuma dizer: “Quem só sabe de futebol, não sabe nada de futebol”.»

Contando um pouco depois da sua história desde que as lesões o obrigaram a deixar de jogar aos 17 anos, João Pereira recorda como começou a treinar miúdos de 8 e 9 anos, antes de enveredar pelo futsal, porque queria sentir o bichinho da competição. Depois veio o FC Porto.

«Foram seis anos no clube, em várias funções: olheiro, analista de desempenho, treinador adjunto, treinador de formação e analista de equipas B. Sem dúvida, o Porto foi uma escola na minha vida de treinador», referiu.

«Lá tive a oportunidade de treinar jogadores como Vitinha, Fábio Vieira, Fábio Silva e João Mário quando estavam prestes a ingressar na equipa principal. Hoje em dia, é comum jogadores com 16 ou 17 anos estrearem-se na equipa principal. Quando se treina jogadores com essa qualidade, aprende-se com eles. Percebemos as soluções que eles encontram para determinadas situações.»

Mais tarde veio então a experiência como adjunto da seleção de Moçambique e o lado escuro da vida, em pleno período de pandemia.

«O problema cardíaco que sofri em Moçambique em consequência da Covid afastou-me do futebol de competição durante meses. Mas não fiquei parado. Aproveitei o tempo de paragem para visitar vários clubes e conhecer as suas dinâmicas de trabalho. Manchester City, Betis, Sevilha, Eintracht Frankfurt», revelou.

«Hoje, aos 33 anos, estou grato por tudo o que vivi na minha curta história no futebol profissional. Tenho muitos sonhos para o futuro: gostaria de trabalhar na Premier League e ouvir o hino da Liga dos Campeões a partir do relvado. Por outro lado, não tenho medo de voltar à terceira divisão portuguesa se for necessário. Já lá estive e fui muito feliz. Consegui fazer um trabalho muito gratificante. No futebol, é preciso adaptarmo-nos ao contexto. É isso que estou a tentar fazer. Veremos os próximos capítulos...»

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