Foi só uma desatenção
No futebol, sabemos que, por mais que sejamos melhores, por mais que dominemos, por mais que criemos mais chances ao longo de todo o jogo, muitas vezes uma desatenção basta para manchar tudo.
Ninguém ficará com dúvidas, depois da partida de hoje, que o Gil Vicente é mais equipa do que o Casa Pia. Já o era à partida; o jogo só o confirmou.
Mas, aquele lance, no início da segunda parte, impediu os galos de conquistar uma vitória que seria justa. O Casa Pia foi astuto: cobrou rapidamente um livre, Larrazabal apareceu solto e fez a assistência para o golo de Nsona.
Para trás, tinham ficado minutos de superioridade gilista; no devir, mesmo sem deslumbrar, eles continuaram.
Vamos ao filme do jogo: a contas com uma gripe no plantel, o Casa Pia apareceu desfalcado, com Gonçalo Brandão a fazer quatro alterações face ao último 11. Saíram Tchamba, Miguel Sousa, Nhanga e Cassiano para entradas de Sousa, Oukili, Nsona e Livramento.
Já o Gil Vicente manteve a mesma equipa que empatou no terreno do Vitória de Guimarães – e cedo se percebeu a superioridade face ao Casa Pia.
Não é que tenha sido uma primeira parte muito bem jogada, mas o domínio dos gilistas foi evidente: tiveram mais bola, mais ataques e as duas únicas oportunidades de golo.
A primeira aconteceu ao minuto 17, quando Joelson Fernandes recebeu uma bola dentro da área, fletiu para dentro e rematou ao poste.
Com nomes como Luís Esteves e Santi García em bom plano, a equipa de César Peixoto acabou por se adiantar no marcador nessa outra chance de que dispôs.
Foi aos 37m, minuto de que Espigares certamente não se esquecerá. Chamado a cobrar um livre ainda longe da baliza, o central espanhol apontou um grande golo.
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— sport tv (@sporttvportugal) December 13, 2025
O Gil entrou na segunda parte a ganhar, mas foi então que a distração de que lhe falei no início da crónica acabou por manchar o resultado.
A equipa de Barcelos ainda se estava a organizar quando o Casa Pia bateu rapidamente um livre. A bola chegou a Larrazabal que cruzou rasteiro para o segundo poste onde Nsona apareceu para marcar (54m).
Podia até ter sido sol de pouca dura, uma vez que o árbitro marcou um penálti, minutos depois. O lance não era evidente: chamado ao VAR, Márcio Torres reverteu a decisão.
O jogo que, com o empate, poderia ganhar novo motivo de interesse, manteve-se na mesma toada: o Gil atacava mais, mas as oportunidades escasseavam. O Casa Pia tentava não sofrer, explorava o jogo direto, mas pouco conseguia.
O empate não foi desfeito e no ar ficou a sensação de que soube muito melhor ao Casa Pia, que soma agora 10 pontos, do que ao Gil Vicente (25 pontos) que pode ser apanhado pelo Braga no 4º lugar.
A FIGURA: Luís Esteves
Num jogo difícil para escolher uma figura, Luís Esteves acabou por ser o elemento mais esclarecido do lado do Gil Vicente. Raramente falhou um passe e toda a manobra ofensiva passou pelos pés deste médio que fez formação no Sporting. Foi ele quem ganhou o livre que Espigares cobrou de forma exímia, ao minuto 37.
O MOMENTO: Que golaço, Espigares! (37m)
Não foi um jogo espetacular, daí que o grande golo de Espigares tenha sido, sem dúvida, o momento da tarde: corria o minuto 37 quando o central do Gil pegou na bola e bateu um livre que só terminou no fundo das redes de Ricardo Batista.
POSITIVO: Nsona
O Casa Pia foi, acima de tudo, uma equipa defensiva e que saiu claramente contente com o ponto amealhado na luta pela manutenção. E deve-o a Nsona, extremo franco-congolês, que se estreou a marcar com a camisola dos gansos, num lance em que soube aproveitar a desatenção da defesa do Gil Vicente.