Em equipa que ganha não se mexe. Farioli mexeu e deu asneira da grossa à boleia da ironia

2 fev, 22:49
Liga: Casa Pia-FC Porto (FOTO: EPA/CARLOS BARROSO)

Começou bem, foi ficando mal e acabou péssima a exibição do FC Porto

Ironia das ironias: numa das melhores entradas em campo em vários jogos, o FC Porto arrancou também para a primeira derrota no campeonato, perdendo por 2-1 no terreno do Casa Pia, que até aqui tinha apenas três vitórias na Liga.

Em sentido contrário, os dragões chegavam com 18 vitórias em 19 jogos, sendo que todas as partidas jogadas fora tinham sido vencidas, incluindo a visita a Alvalade.

Foi há precisamente uma volta, pelo que o campeonato está mais do que relançado. É que na próxima segunda-feira, logo a seguir a sabermos quem será o próximo Presidente da República, o FC Porto recebe o Sporting, agora com quatro pontos de avanço - eram sete à entrada para esta jornada.

Mas voltemos ao que aconteceu em Rio Maior, onde o mau tempo ameaçava dificultar o relvado, mas nem foi por aí que a coisa se tornou mais difícil para o FC Porto - tirando um outro lance, como aquele em que Borja Sainz escorregou na cara do guarda-redes ainda com 0-0 -, que rendilhou vários ataques interessantes na primeira parte, antes e depois do golo do Casa Pia, que marcou os dois golos nas três ou quatro vezes que chegou à área contrária.

Desatenção geral da defesa do FC Porto - que foi remendada, mas isso ainda é outro tema -, com Gaizka Larrazabal a empurrar para uma baliza deserta depois de a bola passar à frente de toda a gente, incluindo de Diogo Costa.

Pausa para fazer um gigante sublinhado ao onze, que não teve Victor Froholdt nem Jakub Kiwior, provavelmente dois dos mais importantes esteios dos dragões. Não se sabe bem a razão da escolha, já que ambos estavam no banco - e o dinamarquês até entrou -, mas Francesco Farioli ficou a saber que em equipa que ganha não se mexe. E no caso do FC Porto, dá para mexer nas laterais, atrás e à frente, dá para mexer no médio mais defensivo, dá para mexer no médio mais ofensivo, mas mexer nos centrais e no oito todo o terreno fica visivelmente mais complicado.

O FC Porto não pareceu tremer de sobremaneira. Tinha ainda praticamente todo o jogo para dar a volta e as coisas pareciam fluir. Combinações de Gabri Veiga, remates de fora da área ou tentativas de servir Samu. Os dragões trouxeram uma variabilidade que há muito não se via, mas a bola não entrava e nem havia forma de descobrir aquela nesga para rematar.

E assim de mansinho, o Casa Pia chegou lá outra vez. Chegou para, através de um livre, marcar o 2-0. Um autogolo de Thiago Silva, a quem o jogo correu manifestamente mal, a mostrar ao mundo o que ainda não se tinha visto: o FC Porto a sofrer dois golos, metade de todos os que tinha sofrido nos 19 jogos restantes.

Não se tinha visto isso e muito menos se tinha visto o FC Porto a perder na Liga, ainda para mais contra uma equipa que nunca tinha vencido os dragões. Foi a primeira derrota do campeonato - foi também a primeira vitória do Casa Pia sobre os azuis e brancos -, esta com real impacto, já que se estreita a margem mesmo antes daquele que pode ser o jogo do título.

Voltando ao jogo, Francesco Farioli decidiu ir ao banco buscar Alberto Costa logo para a primeira parte. Até pareceu Francisco Moura quem ficou pior no primeiro golo do Casa Pia, mas foi Martim Fernandes que saiu.

E de regresso do balneário não havia melhor notícia possível. Pablo Rosario marcou um belo golo e reduziu logo no regresso para a segunda parte, dando chama ao Dragão e crença para toda a segunda parte. Na prática, o FC Porto entrava a perder apenas por um, quando tinha saído a perder por dois. E ficou-se por aí.

O jogo foi-se mastigando, Francesco Farioli ainda foi buscar os reforços William Gomes - já falamos dele especificamente -, Oskar Pietuszewski, Deniz Gül e Victor Froholdt, mas já não deu para nada. Sim, leu bem. Mesmo a perder por 2-0 e a perder quase todo o jogo, o treinador italiano achou que Rodrigo Mora não era para esta partida.

Deu, isso sim, para William Gomes - tínhamos prometido falar dele - fazer uma asneira de todo o tamanho, erguendo o pé tão alto que até arrancou pele à cabeça do adversário. O árbitro não teve dúvidas e nem o ala brasileiro protestou. Era e foi mesmo para vermelho direto, o que colocou uma espécie de fim nas esperanças de um jogo que ainda teve 15 minutos de compensação, durante a qual o Casa Pia foi conseguindo sempre gerir a situação.

O campeonato fica então relançado e quem mais lamenta tudo isto deve ser o Benfica, que podia ter acabado a jornada a sete, mas ficará apenas a nove, já que não foi além de um empate em Tondela.

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