União Europeia pondera avançar com subsídios para a compra de carros elétricos. Objetivo: travar marcas chinesas

23 jan, 11:33
Mercedes elétrico (Getty)

Adiar o prazo de 2035 para o fim das vendas de motores a combustão não está em cima da mesa, garante a vice-presidente executiva da Comissão Europeia

Bruxelas vai apoiar a indústria automóvel europeia, que tem enfrentado claras dificuldades nos últimos tempos, através de subsídios europeus com o objetivo de fomentar o número de vendas de carros elétricos.

Esta quinta-feira, em declarações ao Financial Times, Teresa Ribera, vice-presidente executiva da Comissão Europeia, anunciou que as autoridades europeias estão a “afinar” as particularidades deste programa de incentivos especial.

“Faz sentido ver como é que se pode pensar, numa perspetiva pan-europeia, como facilitar as medidas em vez de recorrer a subsídios nacionais”, afirmou Teresa Ribera, à margem do Fórum Económico Mundial, em Davos. No entanto, a eurodeputada alerta para o perigo de uma “corrida em que poderíamos estar a confrontar um modelo nacional contra outro”.

Na terça-feira, o chanceler alemão Olaf Scholz já tinha divulgado que a Comissão Europeia estava a equacionar um programa de subsídios da UE que a própria Alemanha tinha proposto. Apesar da ideia ter cunho alemão, em 2023 o próprio governo da Alemanha optou por abandonar o seu programa, o que levou a uma queda abrupta nas vendas de veículos elétricos.

Atualmente, vários Estados-membros têm políticas de incentivos para a compra de carros elétricos, mas os trâmites e termos destes apoios variam de país para país, chegando mesmo a haver governos que não oferecem nenhum incentivo monetário ou fiscal, como salienta a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis.

Um dos maiores obstáculos que Bruxelas terá pela frente será conceber um sistema de apoios que esteja em conformidade com as regras da Organização Mundial de Comércio e que impeça que os subsídios sejam aplicados em carros elétricos provenientes de fabricantes chineses, cuja quota de mercado prossegue em clara ascensão.

No entendimento de Teresa Ribera, este vai ser um “complicado equilíbrio” entre a desejada rápida eletrificação da mobilidade europeia e “o desajuste em relação à capacidade das marcas europeias de fornecerem, em termos de quantidade e qualidade, aquilo que gostaríamos de ver circular nas nossas estradas”.

Em contrapartida, do outro lado do Atlântico, umas das primeiras medidas anunciadas pelo recém-empossado presidente dos Estados Unidos foi a promessa de colocar um ponto final nos “subsídios injustos” destinados aos veículos elétricos.

A eurodeputada e ex-vice-primeira-ministra de Espanha assegura que a possibilidade de adiar o prazo de 2035 para o fim das novas vendas de motores de combustão não é sequer opção e não está a ser equacionada por Bruxelas, justificando que a indústria automóvel quer “previsibilidade e clareza”.

“Não faz sentido reabrir a discussão quando isso proporciona alguma incerteza e iria punir os primeiros a levá-la a sério, sem quaisquer vantagens potenciais para aqueles que ainda precisam de avançar”, argumenta.

Ribera reitera que, ao invés, é importante “garantir que esta legislação está a ser aplicada de forma a facilitar o principal objetivo” de eliminar gradualmente os motores a gasolina e gasóleo.

A vice-presidente insiste que a União Europeia vai mesmo manter o rumo da descarbonização, apesar da decisão de Trump de abandonar o Acordo de Paris sobre a redução das emissões, do qual foi uma das arquitetas.

“O mundo é muito maior do que os EUA e existem muitos outros parceiros e atores que compreendem a importância de permanecermos unidos”, defende ainda Teresa Ribera.

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