Foi após insistência do jornal "Público" que a AMT reconheceu que não há relatório
O relatório anunciado pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) sobre o acidente no Elevador da Glória, prometida com resultados divulgados de forma célere, nunca existiu, avança o jornal Público.
No dia do acidente no Elevador da Glória, a AMT informou que iria avançar, nos dias seguintes, com uma ação de supervisão ao acidente. Essa intervenção teria natureza jurídica e os respetivos resultados seriam tornados públicos com rapidez.
"Nos próximos dias, [a AMT] irá realizar uma ação de supervisão ao acidente, cujos resultados serão divulgados com a maior celeridade possível", lia-se no comunicado da empresa.
Semanas mais tarde, confrontada pelo jornal com a inexistência de qualquer documento, a AMT esclareceu que a ação anunciada "só seria realizada" após a conclusão das investigações e inspeções em curso por outras entidades.
Já em janeiro, após um pedido formal de acesso a documentos e uma queixa apresentada à Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos, o regulador reconheceu que não existia qualquer relatório.
"De forma a não perturbar as investigações e inspeções em curso e respeitando as competências de cada entidade responsável pelas mesmas, aguardou pelo fim das ações das devidas autoridades e pela consequente publicação dos resultados", responderam, acrescentando que, "na sequência das conclusões do relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) e das devidas conclusões fornecidas publicamente pelas diferentes autoridades envolvidas, a AMT entendeu terem ficado esclarecidas as principais questões relacionadas com o incidente em causa, considerando não fazer sentido efetuar diligências adicionais que, recorde-se, seriam de natureza jurídica dadas as atribuições de fiscalização e supervisão da AMT."
Apesar disso, continuam em curso várias averiguações ao acidente. O GPIAAF mantém aberta a investigação técnica, depois de já ter divulgado um relatório preliminar, estando o relatório final previsto para o final do ano. Em paralelo, decorrem investigações do Ministério Público para apuramento de eventuais responsabilidades criminais e uma averiguação interna da Carris.