Carris é uma empresa 5 estrelas: cinco certificações em qualidade e segurança

17 nov, 07:44

Gabinete que investiga o acidente do Elevador da Glória estranha que auditor nunca tenha detetado problemas

Durante quase duas décadas, a Carris acumulou certificações de qualidade e segurança assinadas pela Associação Portuguesa de Certificação (APCER):  Sistema de Gestão da Qualidade, desde 2006; Sistema de Gestão Ambiental, em 2008; Sistema de Gestão da Segurança Rodoviária; Serviço de transporte público de passageiros - Linha de elétricos urbanos; e Serviço de transporte público de passageiros - Linha de autocarros urbanos, as três últimas a partir de 2021. Todas as cinco certificações foram renovadas em 2023 e 2024.Estavam em vigor quando o Elevador da Glória se despenhou - e assim continuam.

O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF) estranha as auditorias realizadas nos últimos anos não tenham detetado as falhas, nas operações de manutenção e de gestão de encomendas, relevantes para a tragédia. “Apesar de a investigação ter constatado e estar na posse de diversas evidências quanto a matérias requerendo claras ações de melhoria de procedimentos, a informação a que teve acesso revela não ter sido identificada qualquer não-conformidade ou oportunidade de melhoria no exercício da atividade nos últimos dois anos, seja em processo de auditoria interno ou por auditor externo contratado para assegurar a certificação ISO 9001”, critica GPIAAF, no seu relatório preliminar. 

Há vários pontos críticos que deveriam ter sido detetados e corrigidos em sede de auditoria: a violação sistemática das normas europeias relativos à manutenção dos funiculares; igual vício na execução das “pinhas” de amarração do cabo às carruagens, ponto crítico de segurança; e os erros na gestão e receção de encomendas, que conduziram à aquisição de um cabo errado. 

A APCER não comenta o relatório do GPIAAF e ressalva que, por “deveres de confidencialidade”, as suas respostas “são de natureza necessariamente limitada”. Ainda assim, explica que as suas auditorias são feitas por “amostragem”, através de reuniões e de análise documental, mas “não compreendem inspeções”.

 

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