Segundo o advogado, a Main "não tem qualquer intervenção na seleção dos materiais", limitando-se a realizar as manutenções previstas
O advogado da empresa responsável pela manutenção do Elevador da Glória, Ricardo Serrano Vieira, prestou esta quinta-feira declarações como testemunha no inquérito-crime que investiga o acidente que provocou a morte de 16 pessoas e ferimentos noutras 20.
À saída do DIAP, o Departamento de Investigação e Ação Penal Regional, o representante legal de Gustavo Pita Soares, o responsável máximo da Main, afirmou que as operações de manutenção deste tipo de equipamento exigem formações altamente especializadas e que há “pouca gente no país com competências para monitorizar sistemas desta complexidade”.
Ricardo Serrano Vieira garantiu ainda que a empresa “cumpriu integralmente o que estava contratualizado” e afastou qualquer ligação à escolha dos materiais utilizados, nomeadamente o cabo não certificado, apontado no relatório preliminar divulgado na segunda-feira como uma das principais falhas.
Segundo o advogado, a Main “não tem qualquer intervenção na seleção dos materiais”, limitando-se a realizar as manutenções previstas, pelo que, rejeita qualquer responsabilidade penal no caso.
A investigação do GPIAAF ao acidente com o elevador da Glória detetou falhas e omissões na manutenção do ascensor, apontando também a falta de formação dos funcionários e de supervisão dos trabalhos efetuados pela empresa prestadora do serviço.
O trágico acidente já levou, esta semana, à demissão do presidente da Carris, Pedro Bogas, dias depois de Carlos Moedas, presidente da Câmara da Lisboa, ter tornado público que não iria reconduzir a administração da empresa responsável pelos transportes na capital.