O acidente com o elevador da Glória, ocorrido a 3 de setembro, causou 16 mortos e cerca de duas dezenas de feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades
Os vereadores do PS na Câmara de Lisboa exigiram esta terça-feira a demissão da administração da Carris, na sequência das conclusões do relatório preliminar do GPIAAF sobre o acidente no Elevador da Glória, que causou a morte de 16 pessoas.
Em comunicado, os vereadores socialistas de Lisboa consideram “muito graves” as conclusões do relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), que detetou falhas e omissões na manutenção do ascensor, apontando também a falta de formação dos funcionários e de supervisão dos trabalhos efetuados pela empresa prestadora do serviço.
Segundo os vereadores do PS, este relatório sobre o acidente vem desmentir a versão inicialmente apresentada publicamente pela Carris de “que todos os procedimentos de manutenção tinham sido cumpridos”, ao “revelar falhas e negligência inaceitáveis num equipamento público sob responsabilidade municipal”.
“Os vereadores socialistas consideram que a liderança da Carris perdeu as condições para continuar em funções, face às contradições e à gravidade das conclusões conhecidas. Se o presidente do conselho de administração não apresentar a sua demissão, cabe ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa tomar essa decisão, assumindo a responsabilidade política que lhe compete enquanto tutela da empresa”, defenderam hoje os vereadores.
O PS na Câmara de Lisboa afirma que “exige que sejam assumidas as devidas responsabilidades, sem exceções nem encobrimentos” e que “o executivo camarário assegure total transparência na investigação, implemente todas as medidas de correção e segurança recomendadas”, com reforço dos “mecanismos de controlo interno e externo da empresa municipal, garantindo que situações semelhantes não se repitam”.
“Não é admissível que um acidente com vítimas mortais e feridos ocorra num equipamento público e que as consequências se limitem a sanções intermédias ou a um mero passa-culpas”, acrescentaram.
Verdes exigem esclarecimentos de Carlos Moedas sobre irregularidades
O grupo de Os Verdes na Assembleia Municipal de Lisboa exigiram um “esclarecimento cabal” da Câmara de Lisboa sobre as “irregularidades” detetadas no funcionamento do elevador da Glória e medidas urgentes para a segurança dos funiculares de Lisboa.
A exigência de explicações por parte do Partido Ecologista Os Verdes segue-se ao relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) sobre as causas do acidente que, em 03 de setembro, causou a morte a 16 pessoas, além de cerca de duas dezenas de feridos, a que a Lusa teve acesso.
Num comunicado, o grupo do partido ecologista na Assembleia Municipal de Lisboa realçou que o relatório preliminar “dá conta de falhas bastante graves, no equipamento e na manutenção, cuja existência não pode ser relativizada, nem remetida apenas para um pendor técnico”.
“Assim, é preciso um esclarecimento cabal por parte do presidente da Câmara Municipal, que tutela a Carris, das razões que levaram a tamanhas irregularidades, por um lado, e, por outro lado, como é que se vai urgentemente implementar as recomendações, que mais devem ser vistas como diretrizes, para garantir um efetivo sistema de segurança nos funiculares de Lisboa”, defendeu o grupo.
O relatório preliminar revela que o cabo que unia as duas cabinas do elevador da Glória e que cedeu no seu ponto de fixação da carruagem que descarrilou não respeitava as especificações da Carris, nem estava certificado para uso em transporte de pessoas e já apresentava uma situação de desgaste.
Este organismo público detetou falhas e omissões na manutenção do ascensor, da responsabilidade de uma empresa prestadora de serviços, incluindo procedimentos registados como cumpridos, mas efetivamente não realizados.
Aponta ainda falta de formação dos funcionários e de técnicos especializados em funiculares, além da falta de controlo e supervisão pela Carris dos trabalhos efetuados pela empresa prestadora do serviço.
Na sequência do relatório, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, disse que o acidente foi derivado de causas técnicas e não políticas.
“Estas conclusões preliminares são extremamente preocupantes e não se restringem apenas a questões técnicas, mas também políticas”, consideram Os Verdes, salientando que vão levar o assunto a discussão na Assembleia Municipal de Lisboa.
No relatório, o GPIAAF recomenda à Carris que não reative os ascensores de Lisboa “sem uma reavaliação por entidade especializada”, e ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes que implemente um quadro regulamentar apropriado.