Relatório sobre a tragédia no elevador da Glória é demolidor para a Carris
O presidente da Câmara de Lisboa rejeita reconduzir a atual administração da Carris, presidida por Pedro Bogas, após ter tido conhecimento das conclusões preliminares do relatório do Gabinete de Investigação de Acidentes Ferroviários (GPIAF) sobre o acidente com o elevador da Glória.
O relatório suscitou uma onda de pedidos de demissão imediata. Fontes próximas de Carlos Moedas garantiram à TVI/ CNN Portugal que o autarca decidiu não renovar o mandato do presidente da Carris, que termina este ano.
O homem forte da Carris, Pedro Bogas, tinha apresentado a demissão logo após a tragedia no elevador da Glória mas tinha-se mantido no cargo a pedido do autarca.
O mandato de Pedro Bogas terminava este ano mas, na prática, e devido às eleições autárquicas, toda a câmara ficou em gestão corrente. Agora, o presidente da Câmara decidiu que não vai reconduzi-lo no cargo.
As conclusões são demolidoras para a Carris, mas também para a empresa responsável pela manutenção, a MAIN. Os técnicos do GPIAF concluem que houve falhas graves no cabo, na manutenção e nos travões.
O cabo não estava conforme as especificações da Carris em vigor desde 2011: não estava certificado para transportar pessoas, nem para integrar um destorcedor nas extremidades - precisamente o ponto onde acabou por romper, provocando o trágico acidente e a morte de 15 pessoas.
Os técnicos concluíram ainda que as tarefas de manutenção registadas como cumpridas nem sempre foram efetivamente realizadas, como o exclusivo da TVI já tinha avançado.
Reagindo a este relatório, a Carris emitiu um comunicado em que dizia desconhecer "toda a factualidade" referente ao facto de o cabo não estar certificado para transporte de pessoas e à zona onde o cabo rompeu não ser passível de inspeção visual sem desmontagem.
A empresa afirmou ainda que as "alegadas inconformidades que condicionaram todo o processo de substituição dos cabos" tinham acontecido no "mandato anterior ao do presente Conselho de Administração", revelando que está em curso uma auditoria externa independente às causas do acidente.
Por fim, manifestava a sua discordância em relação ao "enquadramento legal" que é feito no Relatório sobre o Elevador da Glória, não aceitando "que se encontra na sua exclusiva responsabilidade os aspetos relativos à segurança da operação dos ascensores" e afirmando que essa responsabilidade "deve incumbir muito claramente à entidade da administração indireta do Estado com vastas e históricas atribuições nesta matéria (atualmente o IMT, IP), a qual, com base na lei vigente e noutras disposições regulamentares, as vem aliás exercendo proactivamente quanto a vários equipamentos similares integrados no estabelecimento da concessão da Carris (Elevador de Santa Justa e Ascensor da Bica)".