Edifício onde vive Azatbek Omurbekov, habitualmente ocupado por altos quadros militares, foi de imediato isolado após a explosão
Uma explosão ocorrida esta semana numa cidade militar fechada no extremo oriente da Rússia provocou a morte de um oficial do exército e, ao que tudo indica, tinha como alvo o comandante de patente superior conhecido como o “carniceiro de Bucha”.
Segundo três fontes familiarizadas com o caso, citadas pelo The Guardian, a bomba detonou pelas 09:00 locais de terça-feira num bloco residencial em Knyaze-Volkonskoye-1, local onde vive o major-general Azatbek Omurbekov, apontado como responsável pelo comando das tropas russas durante a ocupação de Bucha, na Ucrânia.
De acordo com duas das fontes, o engenho explosivo foi colocado numa caixa de correio entre o primeiro e o segundo andares do edifício, juntamente com uma câmara de vigilância. No entanto, o atacante terá identificado a entrada errada do prédio e a explosão matou um subordinado de Omurbekov, enquanto o major-general saiu ileso.
O nome da vítima mortal foi entretanto revelado apenas pelo apelido, Kuzmenko, pelo canal anónimo de Telegram VChK-OGPU, alegadamente ligado aos serviços de segurança russos.
O ataque acontece depois de, no passado, a União Europeia ter imposto sanções a Omurbekov devido ao seu alegado papel no massacre de civis em Bucha, onde tropas russas são acusadas de ter assassinado mais de 400 civis durante a ocupação da cidade.
Omurbekov vivia numa zona de acesso restrito
O edifício onde vive Azatbek Omurbekov, habitualmente ocupado por altos quadros militares, foi de imediato isolado após a explosão, enquanto toda a zona passou a ser vigiada por tropas da guarnição local.
Knyaze-Volkonskoye-1 é uma pequena localidade militar situada nos arredores de Khabarovsk, no extremo oriente russo, perto da fronteira com a China. Trata-se de uma zona de acesso restrito, organizada em torno de uma base do exército, com entradas controladas por postos de controlo e onde a entrada de não residentes depende de autorização prévia.
O perfil de Omurbekov faz dele um grande alvo para os serviços secretos ucranianos. O major-general comandou a 64.ª Brigada Motorizada de Guardas durante a ocupação de Bucha, em 2022, sendo apontado como um dos responsáveis mais brutais da operação. As sanções impostas pelo Reino Unido acusam-no de estar no “comando direto” de tropas envolvidas no assassinato de civis naquela cidade ucraniana.
Até ao momento, nem Moscovo nem Kiev comentaram oficialmente o incidente.