Tudo se deve aos elevados níveis de sódio, gordura saturada e aditivos químicos, como nitratos e nitritos presentes nas carnes vermelhas processadas
Gosta de bacon, salsichas ou presunto? Um novo estudo revelou que as carnes vermelhas processadas não afetam apenas o coração. Na verdade, conclui a investigação, podem mesmo piorar a cognição.
Publicado na revista Neurology, e citado pelo Washington Post, este é o primeiro estudo a indicar uma ligação entre as carnes vermelhas processadas e o desenvolvimento de demência e o declínio cognitivo. Isto depois dos avisos constantes das autoridades de saúde sobre a associação das carnes vermelhas processadas a doenças cardiovasculares, cancro e diabetes tipo 2.
Quem come um quarto de dose de carne vermelha processada ou mais por dia tem um risco 13% maior de desenvolver demência, em comparação com quem come pouca ou nenhuma. É o que conclui o recente estudo, que dá também conta de um risco 14% mais alto de declínio cognitivo.
Em causa estão, explicam os investigadores, os elevados níveis de sódio, gordura saturada e aditivos químicos, como nitratos e nitritos, que estão presentes nestas carnes.
O estudo, que envolveu mais de 133 mil norte-americanos, que foram acompanhados durante mais de 40 anos, analisou também as carnes vermelhas não processadas, como carne de vaca, porco e borrego. Não encontraram relação entre um maior consumo das mesmas e os problemas cognitivos.
Para além disso, substituir uma porção diária de carne vermelha processada por proteínas vegetais, como nozes e legumes, pode levar a um risco 19% menor de demência e a menos 1,37 anos de envelhecimento cognitivo. Também a substituição desta carne por frango e peixe diminui o risco de demência, bem como o envelhecimento cognitivo.
Os envolvidos na investigação foram regularmente questionados sobre as suas dietas, peso, atividade física e outros hábitos. Também foram submetidos a testes que avaliaram a sua memória e função cognitiva em várias fases.
