Carlos Moedas acusa PS de “ativismo constante de destruição” em Lisboa com "casos e casinhos”

Agência Lusa , JGR
3 set, 00:06
Entre na Câmara Municipal de Lisboa com Carlos Moedas e Manuel Luís Goucha

O autarca elegeu como principais bandeiras a nível nacional e local a redução de impostos, a proteção dos mais desfavorecidos e a luta contra as alterações climáticas

O presidente da Câmara de Lisboa acusou hoje o PS de “ativismo constante de destruição” na autarquia e avisou que estará contra o que chamou de “medidas folclore” de poupança de energia, como desligar as luzes das montras à noite.

Num jantar-conferência na 18.ª edição da Universidade de Verão do PSD, que decorre até domingo em Castelo de Vide (Portalegre), Carlos Moedas procurou marcar diferenças entre a governação do PS – que classificou de ‘show off’ – e a do PSD, que caracterizou como “o partido do trabalho”.

Começando por elogiar o novo presidente social-democrata, Luís Montenegro – “temos muita sorte, temos uma nova esperança” -, o autarca da capital desafiou os jovens da plateia a ajudar o PSD “a reencontrar o seu propósito”, considerando que “a política perdeu o seu propósito” nos últimos anos.

“Mas alguns encontraram esse propósito pelas más razões: temos a extrema-esquerda e a extrema-direita que encontraram como propósito destruir o sistema e temos um Governo cujo único propósito é o poder pelo poder e esse é um propósito que a vossa geração não suporta”, afirmou.

Passando para a Câmara de Lisboa, Moedas acusou o PS de apenas se dedicar “a casos e casinhos” e de tentar encontrar “maneiras para destruir” a sua liderança: “Um ativismo constante de destruição”, acusou.

O autarca e ex-governante no executivo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho elegeu como principais bandeiras a nível nacional e local a redução de impostos, a proteção dos mais desfavorecidos e a luta contra as alterações climáticas, traçando neste último ponto diferenças para o com o PS.

“O PSD oferece às pessoas soluções concretas, o PS oferece folclore e medidas para agradar a ativistas do BE, é essa a política climática do PS”, criticou, apontando como exemplo a proposta da oposição de fechar a Avenida da Liberdade ao trânsito aos domingos e feriadas sem pensar “na economia ou nos comerciantes”.

Em contraponto, recordou que já está em vigor a promessa do seu executivo de transportes gratuitos para os mais novos e os mais velhos, dizendo que esta é uma “mudança estrutural”.

O presidente da Câmara de Lisboa acrescentou estar “muito curioso” pelas medidas que o Governo vai anunciar na segunda-feira, também na área da poupança e da eficiência energética.

“Imagino que o Governo vai seguramente anunciar que as lojas devem apagar as luzes das montras à noite. Isso é mais uma medida que, a meu ver, é apenas uma medida popular, mas que não é estrutural”, criticou, dizendo que, em alternativa, a Câmara está a mudar as lâmpadas da iluminação pública para poupar 80% na fatura.

Moedas ironizou que, qualquer dia, o Governo socialista fará uma sugestão semelhante à d’Os Verdes alemães, que propôs uma diminuição dos banhos.

“O vosso futuro não muda se se apagarem as luzes até ao Natal, não muda se eu deixar de tomar banho todos os dias”, afirmou, dizendo que o objetivo da autarquia, em alternativa, é “deixar de lavar as ruas e regar com água potável”.

Na fase das perguntas, Moedas foi questionado que medidas tomaria na área da descentralização se fosse primeiro-ministro.

Sem se referir nunca ao seu futuro político, o autarca disse concordar com a posição do presidente do PSD: “Nós ainda estamos muito longe de ter uma descentralização, está tudo no papel”.

“Uma meia descentralização só causa problemas”, disse, acusando o Governo de usar este método para se poder responsabilizar.

Moedas apelou aos alunos da Universidade de Verão que não deixem de ser sonhadores realistas – “que sintam a borboleta que nos dá essa alegria muito única” - e que nunca percam a ambição, dizendo que esse tem sido um dos problemas do país no período do pós 25 de Abril.

“Quem foi a primeira pessoa que trouxe ambição a Portugal? Foi Cavaco Silva”, apontou, sem referir o nome habitualmente sempre presente nos discursos sociais-democratas do fundador do partido Francisco Sá Carneiro.

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